Erotismo, heróis e Turma da Mônica
Já imaginou o Hulk a mostrar o sexo sem pudores ou em poses explícitas? Não dê mais voltas à cabeça porque pode ver este e outros heróis (o Super-Homem, o Homem Aranha e o Homem de Aço) nestes ‘preparos’ numa das centenas de obras de Banda Desenhada (BD) expostas no Fórum Luís de Camões, na Amadora.
A 17.ª edição do Festival Internacional de BD da Amadora arranca hoje e mostra deuses, rainhas, pessoas normais em traço realista ou mais ficcionado, assinado por 200 autores, portugueses e estrangeiros, para além dos premiados do concurso deste ano – ‘Um Olhar Sobre o Resto do Mundo’. No escalão A, que recebeu 80 trabalhos de autores entre os 17 e 30 anos, Luís André, de 19 anos, foi o vencedor. Vai receber mil euros e, claro, a visibilidade da exposição. No escalão B (12-16 anos), Maria Ioque, de 14 anos, amealhará 750 euros, ela que é “uma das muitas mulheres premiadas pelo Festival”, como frisou ao CM o director do certame, Nelson Donna.
A exposição realiza-se em dois pisos do Fórum (com extensão a cinco pólos na Amadora), estende-se ao longo de 3500 metros quadrados e poderá receber cerca de 30 mil visitantes, segundo as expectativas da organização. “Durante os próximos três anos, a Câmara dá-nos a possibilidade de mantermos o Festival neste local”, antecipou ainda Nelson Donna, contabilizando em 275 mil euros o contributo da edilidade da Amadora para o evento anual.
Além do destaque dado ao artista português Filipe Abranches, vencedor da edição de 2005, o Festival dedica ainda outras zons à obra do argumentista Frank Giroud, que escreveu um romance em “dez álbuns, sendo cada um deles desenhado por artistas diferentes”.
Em foco estará ainda a zona da BD erótica, “mais pornográfica até”, ressalva o assessor de Imprensa, José Eduardo Ferreira. Nesta área estarão expostas obras de portugueses (como Pedro Alves, que desenhou as tiras de BD com os heróis famosos) e estrangeiros. Mais distante, há um espaço só com BD para os mais novos, com as obras à sua altura, ou seja, a apenas um metro do chão.
Inovadora é ainda a disposição da mostra da América Latina. Dizem os especialistas que, expostos em vitrina (ao nível do colo e inclinados) os quadros ficam mais acessíveis aos visitantes. Há ainda BD da África subsariana e árabe para ver.
sessões de autógrafos
Nos dias 28 e 29 (os fins-de-semana são dedicados a sessões de autógrafos com alguns artistas), há uma visita especial: o Festival recebe Maurício de Souza, o ‘pai’ da menina que não suporta que lhe roubem o coelhinho ou que a chamem de ‘dentuça’ – a Mônica, claro está.
BD para ver em obras originais num espaço que contou com a decoração (escultura, pintura e instalações) realizada por alunos e artistas de Belas Artes. Até 5 de Novembro, das 11h00 às 22h00.
BD erótica e pornográfica mesmo estará exposta numa sala onde só entram os adultos. Os menores, a entrarem, só com os pais, garante a organização.
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