"Este filme é um justo tributo"

Nicholas Oulman, filho do compositor dos maiores êxitos de Amália, é o autor de ‘Com que Voz’, documentário sobre o pai, Alain. Filme está em exibição nos cinemas

30 de janeiro de 2011 às 00:30
ENTREVISTA, NICHOLAS OULMAN, AMÁLIA, COM QUE VOZ Foto: João Miguel Rodrigues
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Correio da Manhã – Como surgiu a ideia de fazer este documentário?

Nicholas Oulman – Foi surgindo. Para mim, o Alain Oulman foi sempre uma personagem que não tinha nada a ver com o que era para os outros. Era só meu pai, nunca pensei nele como fonte para um filme.

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– ‘Com que Voz’ é uma homenagem...

– Sim, tentei mostrar a importância que ele teve no fado. Alain Oulman é um nome desconhecido para a maioria. É um justo tributo.

– Tinha consciência, na sua adolescência, da versatilidade e da importância artística do seu pai?

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– Nem por isso. Sabia que ele era um bocadinho conhecido. Um dia, há muitos anos, no aeroporto de Paris, uma pessoa ao meu lado – que deve ter espreitado e viu-me a preencher uns papéis com o meu apelido – perguntou-me: "Tem alguma coisa a ver com o compositor?" Foi a única vez em toda a minha vida.

– Mas conheceu a Amália...

– Sim, ela ia muitas vezes lá a casa e, quando o meu pai vinha a Portugal [na altura já radicado em Paris], íamos visitá-la.

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– Como era a relação deles?

– Havia um respeito e uma deferência enormes. Parecia uma relação formal, mas de uma admiração mútua tremenda.

– E que memórias guarda do seu pai?

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– Lembro-me que, quando eu tinha 12 anos, acabara de estrear o ‘Alien’, que era para maiores de 13 anos. Então fiz um BI falso na escola e fui com o meu pai ver o filme. Na cena em que aquele bicho abre a boca, demos os dois um pulo enorme.

– Disse uma vez que o seu pai era "púdico nos afectos"...

– Ele não era de grandes afectos. Tudo o que lhe ia na alma era posto cá fora através da música. Mas, às vezes, basta um olhar, um sorriso. Nunca duvidei do amor dele. A única coisa que ele me pediu foi para nunca vir a ser padre ou polícia.

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Com este filme, ficou a conhecê-lo melhor?

– Sim, aprendi o que ele veio trazer ao fado e aos poetas com as suas novas melodias. E apercebi-me da conotação das músicas dele contra o regime, como foi preso e porquê...

– O que o surpreendeu mais?

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– Espantou-me a importância que ele teve no fado, não estava à espera. E ver que, depois de 20 anos de ele morrer, os entrevistados falavam dele cheios de emoção.

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