“Estou comovido", diz Itamar Vieira, vencedor do Prémio Leya
Grupo editorial atribuiu o Prémio Leya deste ano ao escritor brasileiro de 39 anos. Romance retrata trabalhadores rurais no Brasil.
Um livro sobre os trabalhadores rurais brasileiros e a forma, desumana, como têm de laborar, valeu ao escritor Itamar Vieira Junior o Prémio Leya 2018, anunciado esta quarta-feira pelo Grupo Leya. "Perplexo" com a vitória de ‘Torto Arado’, o autor brasileiro, de 39 anos, diz que ainda não encontrou as palavras para exprimir a sua satisfação. E muito menos sabe o que fazer com o dinheiro associado ao prémio (100 mil euros).
"Sei que é o prémio literário mais valioso no universo da língua portuguesa, mas sinceramente ainda não pensei sobre isso. Sei que estou muito comovido por ter recebido esta distinção e que a dedico a todos os homens e mulheres que, nos últimos meses, se têm batido pela democracia no Brasil."
Adversário confesso do candidato de extrema-direita, Jair Bolsonaro, o escritor conhece bem a realidade que retrata na obra vencedora, já que entre os seus vários ofícios é também encarregado pelo Estado brasileiro da "regularização de terras". "Embora o Brasil tenha abolido a escravatura há 120 anos, nos dias de hoje ainda há quem trabalhe em condições análogas às da escravatura", conclui Itamar Vieira Junior.
PORMENORES
Dez anos de letras
O Prémio Leya está a celebrar dez anos e do júri constam os nomes dos poetas Nuno Júdice e Manuel Alegre (presidente). 348
Candidatos
À edição deste ano concorreram 348 originais (sobretudo oriundos do Brasil e de Portugal), provenientes de 13 países.
Sai em 2019
‘Torto Arado’ será publicado no primeiro trimestre de 2019 e a entrega do prémio ocorrerá durante a Feira do Livro.
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