Exibidora de cinema Cineplace encerrou salas e foi alvo de processo de insolvência
Em 2025, a Cineplace encerrou os cinemas em Portimão e na Guia, ambos no distrito de Faro, e também no Funchal e no Seixal.
A exibidora cinematográfica Cineplace, que encerrou as salas de cinema que explora em Portugal, foi alvo de um processo de insolvência, de acordo com decisão judicial consultada pela agência Lusa.
Segundo o portal Citius, o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte proferiu, no passado dia 16, uma sentença de declaração de insolvência da exibidora e os credores, entre os quais alguns dos centros comerciais onde a empresa operava, têm trinta dias para reclamar créditos junto da Orient Cineplace.
A Cineplace é uma marca da exibidora brasileira Grupo Orient, que opera em Portugal desde 2013, tendo explorado desde então algumas das salas que anteriormente pertenciam à exibidora Socorama, que faliu.
A exibidora, que chegou a ser a segunda maior a operar no mercado português, já tinha apresentado um Plano Especial de Revitalização (PER), homologado em 2021, que lhe permitiu recuperar capacidades de gestão.
A agência Lusa tentou obter mais informações e esclarecimentos junto da administração da Orient Cineplace, mas não obteve resposta.
Em 2025, a Cineplace encerrou os cinemas em Portimão e na Guia, ambos no distrito de Faro, e também no Funchal (Madeira) e no Seixal (Setúbal).
O encerramento das restantes salas foi progressivo entre dezembro passado e janeiro deste ano: Fecharam portas as salas de cinema na Guarda, nas Caldas da Rainha (Leiria), depois na Covilhã, em Leiria, em Viana do Castelo, em Braga, e igualmente em São João da Madeira (Porto) e em Loures (Lisboa).
Sobre a situação dos trabalhadores afetos à Cineplace, fonte do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual disse esta segunda-feira à Lusa que tinha prevista uma reunião com a exibidora, ainda não agendada, não só para discutir o encerramento de salas como a revisão da tabela salarial.
Segundo informações do portal Citius, a insolvência da Orient Cineplace foi requerida pelo centro comercial Algarve Shopping (Guia), que pertence à Sonae Sierra.
Na semana passada, em resposta a um pedido de esclarecimento da Lusa sobre a estratégia da Sonae Sierra para a exploração de cinema, o grupo empresarial admitiu que o setor da exibição comercial "tem atravessado transformações significativas nos últimos anos, com impacto direto na respetiva procura efetiva dos espaços e nos modelos de operação do negócio".
"Nesse contexto, os nossos ativos têm vindo a adaptar-se a estas tendências, assegurando que cada espaço mantém uma proposta de valor ajustada ao perfil dos utilizadores locais", afirmou, genericamente, a Sonae Sierra.
De acordo com os dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) divulgados este mês, em 2025 a exibidora Cineplace detinha 58 salas, pelas quais passaram cerca de 622 mil espectadores, totalizando 3,3 milhões de euros de receita de bilheteira.
Estes valores de receita e audiência representaram uma quebra de mais de 30% face a 2024.
Em 2019 detinha 14 'multiplex' e 85 salas. Nesse ano, anterior à pandemia da covid-19, obteve 9,1 milhões de euros de receita de bilheteira e teve 1,7 milhões de espectadores.
O panorama da exibição de cinema comercial em 'multiplex', dentro de centros comerciais, tem em 2026 uma reconfiguração diferente, pelo encerramento das salas Cineplace e também algumas da NOS Lusomundo Cinemas, líder no mercado.
Há ainda o caso do Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia, o maior complexo de cinema do país, explorado pela exibidora UCI, que foi autorizado a desafetar a atividade cinematográfica em nove das 20 salas.
De acordo com a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC), a desafetação daquelas salas foi autorizada por questões de "viabilidade económica".
Na sequência de todos estes encerramentos, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre a exibição de cinema no país.
Em dezembro, Margarida Balseiro Lopes disse à Lusa que este grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, iria "olhar para o histórico dos últimos três anos" sobre pedidos de desafetação, e que terá conclusões no primeiro trimestre deste ano.
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