Família vive com fantasmas
O Apartheid – regime que separou negros e brancos na África do Sul durante mais de 40 anos – acabou há 20 anos e a sua morte foi anunciada pela libertação, a 11 de Fevereiro de 1990, do líder africano Nelson Mandela. Para assinalar a data – e também para comemorar os seus dez anos de existência – o Teatro dos Aloés acaba de estrear, nos Recreios da Amadora, ‘A Lição dos Aloés’, do sul-africano Athol Fugard. Uma reflexão sobre o peso da política na vida de todos nós, mas também sobre o poder da amizade e a importântica da fidelidade.
Em cena, num espaço simultaneamente interior e exterior (no palco coexistem o jardim de uma casa residencial e o quarto do casal proprietário), assistimos à exposição de ambos os universos: o público e o privado, através dos diálogos entre três personagens: o afrikander ‘Piet’, a mulher ‘Gladys’ (acabada de regressar de uma clínica psiquiátrica) e o melhor amigo dele, ‘Steve’, um negro que cumpriu pena por razões políticas.
Ao longo de cerca de duas horas, num clima de tensão crescente, o espectador assiste a um desfilar de ideias e memórias que, pouco a pouco, nos dá a conhecer três pessoas totalmente diferentes mas todas complexas, marcadas por um passado difícil. Um dos méritos do texto de Athol Fugard é ter criado três protagonistas para a sua peça.
Na encenação de José Peixoto, e em interpretações de Jorge Silva, Elsa Valentim e Daniel Martinho, ‘Uma Lição dos Aloés’ é um apelo à fidelidade. Aos
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