Filme brasileiro visto na prisão
Na vida, há os que devoram e os que são devorados. Raimundo Nonato está numa posição especial: ele cozinha." Assim reza a sinopse de ‘Estômago – Uma Fábula nada Infantil sobre Poder, Sexo e Gastronomia’ que amanhã vai ser apresentado no Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), às 14h30.
Divertido e inteligente na reflexão sobre as hierarquias e jogos de poder nas prisões, tal como na vida, o filme faz um retrato de sobrevivência com recurso a uma arma pouco convencional: a comida.
E Nonato (João Miguel), um zé-ninguém sem instrução, aproveita-se com mestria do seu talento para os temperos... dentro e fora das grades. Na rua, conquista o ‘amor’ de uma prostituta que adora coxinha e macarrão ‘à putanesca’ (Fabíula Nascimento) e, no cárcere, ganha o respeito dos companheiros, subindo na estrutura... dos beliches das celas.
Contado em avanços e recuos, o filme ganha na ironia, quase cómica, da história simples. Realizado pelo brasileiro Marcos Jorge, ‘Estômago’ somou prémios em festivais nacionais e internacionais.
À semelhança do que já aconteceu, também no EPL, com ‘Walk the Line’ (2005) – filme sobre o guitarrista Johnny Cash, protagonizado por Joaquin Phoenix – e, na prisão feminina de Tires, com o lançamento do DVD de ‘O Leitor’ (2009), agora é a vez de ‘Estômago’ ir à cadeia.
No final da projecção, o cineasta debate o filme com os presos. Para abrir o apetite para o jantar...
‘Estômago’ chega às salas portuguesas no dia 13 e tem antestreia esta quinta-feira nos cinemas UCI do El Corte Inglés, em Lisboa.
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