"Foi no Casino que recomecei”
Carlos do Carmo inicia esta noite no Estoril a celebração dos seus 45 anos de carreira, num espectáculo em que vai prestar homenagem aos seus músicos.
Correio da Manhã – No concerto de hoje à noite celebra 45 anos de carreira. É uma responsabilidade acrescida?
Carlos do Carmo – Há dois vectores neste espectáculo. Vou ao Casino Estoril dar início à celebração dos meus 45 anos de carreira e vou fazer algo que não fiz até hoje e que sinto uma necessidade absoluta de fazer.
– Do que se trata?
– Quero homenagear os músicos. Ao longo dos anos tenho homenageado os meus autores, o público, mas nunca homenageei tantos e tantos músicos que ao longo da vida me acompanharam e que são uma base de trabalho fundamental para mim. Por isso, desta vez, desses muitos escolhi aleatoriamente uma meia dúzia, uma dúzia no máximo, para me acompanhar.
– E o segundo vector é...
– É o facto de ser no Casino Estoril que dou início à celebração dos 45 anos de carreira. Porque foi a casa onde recomecei sempre que estive muito mal de saúde. Há 18 anos, depois de uma queda de palco em Bordéus, foi lá que recomecei, e há oito anos, quando estive a morrer, foi ali que recomecei de novo. Ligam-me ao seu director, Mário Assis Ferreira, laços de grande amizade e, como sou muito sensível à amizade, cantar naquela casa é estar em festa.
– É uma espécie de superstição? Um lugar onde se sente renascer?
– Não, não se trata de superstição, tem a ver com gratidão.
– E o que vai cantar no Casino?
– Preferia que as pessoas ouvissem. Vou fazê-lo com muito gosto e alegria, com muita entrega e quero aproveitar para agradecer ao público, pois já me disseram que o espectáculo está completamente lotado. Agradeço ao público mais essa generosidade para comigo.
COM A ORQUESTRA DE COUNT BASIE
No próximo dia 29, no Campo Pequeno, Carlos do Carmo vai cantar com a orquestra de Count Basie. Para o fadista, que interpretará dois temas de Frank Sinatra, além de "uma oportunidade única", o espectáculo é "a materialização de um sonho". Segundo Carlos do Carmo, esta é também "uma homenagem à grande música americana". Além de Carlos do Carmo, o espectáculo contará ainda com Camané, Manuela Azevedo (Clã), Lula Pena e Maria João.
PERFIL
Carlos Alberto (do Carmo) Ascensão de Almeida, (68 anos) é o mais prestigiado fadista português. Entre os seus êxitos conta-se ‘Estrela da Tarde’, ‘Canoas do Tejo’ e ‘Lisboa Menina e Moça’. Recebeu várias distinções, entre as quais a Ordem do Infante D. Henrique e o Prémio Goya para Melhor Canção, com ‘Fado da Saudade’.
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