FORRÓ EM PESSOA

Quando Silvério Pessoa anunciou a sua intenção em gravar um disco dedicado à obra de Jacinto Silva, mestre do coco (dança popular nordestina semelhante ao forró), muitos temeram que o músico deixasse cair por terra a originalidade que o havia caracterizado enquanto membro fundador dos Cascabulho, grupo que investiu na tradição do folclore misturando-o no universo pop.

19 de julho de 2004 às 00:00
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A verdade é que quando ‘Bate o Mancá (O Povo dos Canaviais)’ foi editado no Brasil, depressa todos perceberam que Silvério Pessoa, contrariando os receios, estava era interessado e empenhado, mais do que nunca, em reecontrar-se com o seu passado e as suas raízes. O seu primeiro disco a solo é um verdadeiro hino à música tradicional brasileira, uma declaração de agradecimento a Jacinto Silva que, em várias canções do disco, surge a falar sobre coco e forró. (A ligação dos dois músicos é lembrado pelo próprio Silvério Pessoa no ‘booklet’ do disco).

Gravado no Recife e misturado no Rio de Janeiro no final de 2000, o álbum peca por só agora chegar a Portugal e dar a conhecer um homem (ou melhor... dois), cujo talento surge naturalmente abafado pelos grandes nomes da actual música brasileira.

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Mas para quem conhecia o projecto Cascabulho e mais concretamente o disco ‘Fome Dá Dor de Cabeça’, álbum que chegou a ganhar diversos prémios em 2000, sabe que Silvério pessoa está com um pé no passado, outro no presente e os olhos postos no futuro. A verdadeira música faz-se assim.

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