Fundação Mário Soares vai reduzir o seu acervo

Em crise financeira há anos, a administração tenciona passar parte do arquivo à sua guarda para a Torre do Tombo.

10 de dezembro de 2018 às 01:30
Fundação Mário Soares tem vindo a perder apoios e a administração atual decidiu reduzir a sua atividade Foto: Vítor Mota
O antigo Presidente da República, Mário Soares, morreu aos 92 anos Foto: EPA
Mário Soares Foto: Rafael Marchante/Reuters

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Já antes da morte do ex-presidente da República se começou a falar das dificuldades crescentes da Fundação Mário Soares (FMS). Em 2016 a instituição registou um saldo negativo de cerca de 280 mil euros e no ano passado o número chegou aos 388 mil euros.

Só em 2017, ano da morte de Soares, os subsídios à FMS caíram de 316 mil para 175 mil euros. A EDP, por exemplo, cortou o apoio de 75 mil euros para 7 mil.

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A solução encontrada pela atual administração foi reduzir a atividade e, de acordo com o jornal ‘Público’, entregar parte dos seus arquivos à Torre do Tombo.

Na Fundação ficariam, apenas, o arquivo pessoal do ex-presidente da República e de alguns amigos próximos – casos do fundador do Partido Socialista Francisco Ramos da Costa e do escritor Manuel Mendes, íntimo de Soares desde o tempo da universidade.

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Há, porém, uma dificuldade: grande parte daquilo que está na FMS não lhe pertence. Está apenas aí depositado e os proprietários dos arquivos poderão não concordar com a transição para a Torre do Tombo.

Um dos casos mais gritantes é o do arquivo de Amílcar Cabral, o pai da independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde do colonialismo português.

A FMS tem à sua guarda os documentos pessoais do líder político assassinado em 1973, para assegurar a sua "conservação, classificação, digitalização e difusão", mas Iva Cabral, filha de Amílcar Cabral, não está disposta a entregá-los à Torre do Tombo, onde diz que se diluiriam.

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