Fundação Nobel não retira prémio a Gunter Grass
Gunter Grass, o Nobel de Literatura de 1999, continua na ordem do dia desde que, há sensivelmente uma semana, assumiu publicamente ter integrado as forças de elite nazis, vulgo SS, enquanto jovem.
Depois de Lech Walesa (Nobel da Paz) se ter manifestado pela devolução da distinção de cidadão honorário de Gdansk (antiga Dantzig), cidade polaca de onde Grass é natural, chegou a vez da Fundação Nobel se confrontar com uma petição de escritores, historiadores e políticos no sentido de forçar o escritor à devolução do prémio máximo de literatura (o Nobel), intenção registada, mas de pronto rejeitada.
“As decisões da Fundação Nobel são irreversíveis”, comentou, peremptória, a instituição.
Quanto ao autor de ‘O Tambor’ ou ‘Uma Longa História’, defende-se das críticas com factos como, aos 17 anos, gostar da Marinha em geral e de submarinos em particular. Resultado: alistou-se e, como “não havia vagas”, acabou “integrado nas SS, na altura nada de terrível, mas apenas uma unidade de elite”. Contudo, não esconde “o tormento” da memória desse passado.
A revelação que está a deixar a Alemanha e o Mundo em alvoroço, recorde-se, surge a poucos dias da publicação da autobiografia de Grass, ‘Descascando Cebolas’, edição inicial de 150 mil exemplares que a editora alemã tratou já de antecipar de 1 de Setembro para “o quanto antes”...
Para o Conselho Central dos Judeus da Alemanha, este súbito peso de consciência tem outro nome: publicidade.
“É a obra de uma vida que estão a destruir por um erro do passado”, disse o escritor que tem casa em Almancil, Algarve.
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