GÉNIO E ORIGINALIDADE

Quinta-feira à noite, o trio Bad Plus trouxe algo de novo ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no primeiro concerto de jazz deste ano na carismática sala.

24 de janeiro de 2004 às 00:00
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Um trio formado por piano, contrabaixo e bateria, com uma óptica muito própria na sua forma de tocar: o pianista Ethan Iverson, senhor de uma fabulosa mão esquerda que toca sempre com acordes virados para o clássico; o contrabaixista Reid Anderson cuja técnica é apuradíssima, e o baterista David King, um motor rítmico com permanentes explosões de improvisação percussionista.

O facto mais importante é que o grupo faz uma música diferente de tudo o que se ouviu até agora na área do jazz, de tal forma que chegamos a duvidar se se trata mesmo de jazz. É preciso realmente uma grande abrangência para englobar os resultados musicais do trio no âmbito do jazz.

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Por vezes pareceu-nos estar a ouvir os ‘Synphonic Works’, de Emerson, Lake and Palmer. Isto porque, para além das composições originais, os Bad Plus entram no mundo da música pop, fazendo arranjos muito pessoais de trabalhos dos Blondie, Black Sabath ou Nirvana.

E foi o que fizeram neste concerto. Os temas do último disco, ‘These Are The Vistas’, e outros que integram o próximo, ‘Give’, a sair em Março, fizeram o público vibrar com a força sonora do grupo, em especial do piano e da bateria, que muitas vezes dialogaram.

O contrabaixista e líder, Reid Anderson, foi, quanto a nós, o músico com maior craveira que esteve em palco, tanto pela forma excepcional como se inseriu na batalha ‘infernal’ entre o piano e a bateria, como pela riqueza estética dos seus solos.

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Um único senão: a amplificação muito forte dos instrumentos chegou a ser incomodativa para os tímpanos dos apreciadores de jazz. O tipo de som era mais vocacionado para pop/rock.

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