GERAÇÕES UNIDAS EM VILAR DE MOUROS

João Taborda está encostado à parede de um café de Vilar de Mouros, copo de cerveja inclinado na mão direita, olhos semicerrados. Chegou de Lisboa ao cair da noite de quinta-feira e assume que já está com uma ressaca “de bradar aos céus”.

17 de julho de 2004 às 00:00
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“Foi do muito vinho tinto que bebemos numa adega daqui desta terra maravilhosa”, diz, a voz também ela cambaleante. “Mas tá-se bem. Não é por isto que eu vou deixar de curtir o melhor festival de Portugal”, que arrancou ontem e terminha amanhã.

Taborda, tal como o seu colega de viagem, Rui Soares, está aqui “mais pelo ambiente do que pela música”, mas não deixa de evocar o nome dos The Cure, “banda que já curtíamos antes de termos nascido”, como a grande atracção do evento.

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Soares, esse, levanta a voz em sinal de desacordo, afirmando enquanto abana as tranças sujas do cabelo: “O Bob Dylan é que é. Apesar de mais velho do que o meu avô e de ser capaz de ‘bater a bota’ um dia destes, não deixa de ser um dos grandes nomes da música do século XX e arredores”.

POLÉMICA

Várias gerações cruzam-se à entrada da ponte que dá acesso ao recinto, destacando-se alguns ‘hippies’ de meia idade.

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Um deles fala com a mulher do “mesmo espírito do Woodstock”, enquanto outro lê alto um comunicado da Junta de Freguesia e Comissão de Moradores de Vilar de Mouros onde se enaltece “a comunhão entre a natureza, a cultura musical e o lazer” e se revela “a preocupação dos vilar-mourenses face à iminente construção de uma auto-estrada que vai passar a escassas três centenas de metros do recinto do festival, ameaçando quebrar definitivamente um secular equilíbrio entre o Homem e a Natureza e ferir de morte o que de mais genuíno existe num evento como este”.

Por baixo da ponte corre pouca água, suficiente, porém, para uma rapariga mais afoita mergulhar com as calças vestidas. “É para me preparar para o concerto de logo à noite [ontem à noite] do Peter Gabriel, o músico mais capaz de cantar o lamento e o romantismo com a mesma ternura”, diz, roupa encharcada e um sorriso que revela “a grande emoção de estar aqui”.

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