HANNA SCHYGULLA EM VERSÃO ÍNTIMA SÓ PARA FÃS
Não foi uma sala cheia, mas foi certamente uma sala repleta de fãs que viu, no domingo à noite, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a musa de Rainer Werner Fassbinder, Hanna Schygulla, interpretar (em francês) ‘Protocoles de Rêves’, espectáculo multimédia apresentado em Lisboa no âmbito do Festival Temps d’Images.
‘Protocoles’ começou por ser um projecto cinematográfico: em 1979, Schygulla registou, em filme, sete dos seus sonhos, material que agora usa em cena de maneira diversa. Ora contracena consigo própria em jovem, ora canta, ora explica os sonhos, ora nos fala, do alto dos seus 61 anos, sobre o que a afligiu na juventude e a sabedoria que entretanto adquiriu e que gosta de partilhar com plateias internacionais.
PESSOAL E INTRANSMISSIVEL
Aquilo que a actriz/cantora diz tem um cunho pessoalíssimo mas não revela grande coisa sobre o mistério que envolve o nome e a figura de Hanna Schygulla.
Apesar de falar de assuntos tão íntimos como a sua relação com a mãe ou a sua pulsão de morte, os temas acabam por ser aflorados de forma mais poética do que profunda e mais sugestiva do que esclarecedora.
‘Protocoles de Rêves’ acaba também por ser a forma encontrada pela actriz para homenagear Rainer Werner Fassbinder, o polémico realizador alemão que, mais do que qualquer outro, contribuiu para torná-la mundialmente famosa.
Pelo ecrã gigante passam fotos e registos videográficos do cineasta, e Schygulla alude directamente a algumas das suas obras mais marcantes: ‘As Lágrimas Amargas de Petra von Kant’, ‘Querelle’, ‘O Casamento de Maria Braun’. De resto, num palco praticamente vazio, dominado ao fundo pelo ecrã gigante e do lado esquerdo por um enorme piano (tocado por Jean Marie Senia), ‘Protocoles de Rêves’ é um espectáculo mais curioso do que interessante e, apesar da qualidade da sua execução técnica, deixa-nos uma estranha sensação de falta.
Talvez funcionasse melhor numa sala pequena, a permitir maior proximidade entre o palco e a plateia. Assim, emoção, só mesmo a de poder ver Hanna Schygulla ao vivo.
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