Hora e meia a rir do que é ser português
Manuel Marques é o 'Sr. Engenheiro' no palco do Teatro Tivoli.
A Ordem dos Advogados pediu que o título do espetáculo aparecesse entre aspas. “Porque o homem não é engenheiro”, foi a justificação apresentada. E assim ficou. “Sr. Engenheiro – Alegadamente um Musical” acaba de estrear no Teatro Tivoli, em Lisboa, com a garantia de 90 minutos passados a rir daquilo que, no dia a dia, parece que não tem graça nenhuma. Em palco, não se dizem nomes. Há o José. Que é “engenheiro”. E o amigo. E a namorada. Há também a procuradora, o advogado, o motorista. Todos entram e saem de cena a uma velocidade estonteante, para contar a história de um menino que nasceu nas Beiras e sempre sonhou ser primeiro-ministro. “Porque ser ministro é sacar o que se quer e o resto estou-me a cag***”, explica, enquanto pede mais “fotocópias” ora ao amigo ora ao motorista.
O espetáculo da UAU, que tem texto de Henrique Dias e encenação de Rui Melo, conta, no protagonista, com a interpretação de Manuel Marques, mas tem um elenco todo ele sonante. Estão lá Miguel Raposo, Marta Andrino, Jorge Mourato, Samuel Alves, Rita Cruz, Sissi Martins, Sílvia Filipe, Alexandre Carvalho e Brienne Keller. Juntos, obrigam-nos a recordar episódios vividos na História recente de Portugal. Quem não se lembra do fascínio dos computadores Magalhães? Do curso tirado com equivalências e com o diploma passado ao domingo? E do Simplex? E das Novas Oportunidades? E da casa de Paris?
Tudo isso passa pelo palco do Tivoli num espetáculo que o encenador admite ter sido “tecnicamente muito complexo de montar”, por exigir constantes mudanças de cenário e um entra e sai de personagens que nunca mais acaba. Já o texto fê-lo rir “desde a primeira leitura” e “do princípio ao fim”. “Acho que este é um espetáculo sobre a portugalidade”, afirma Rui Melo. “Sobre a chico-espertice tipicamente portuguesa. Espero que as pessoas percebam que nos podemos rir de nós próprios, o que é muito saudável”, conclui.
Com seis músicos em palco, as canções (música original de Artur Guimarães) são parte fundamental do prazer que o espetáculo proporciona. E ajudam a contar uma história que começa com o nascimento do menino José e termina quando este é libertado, após cumprir pena de prisão preventiva. E agora? “Agora? Recursos. Porque o recurso é o milagre deste Código Penal”, explica. Nós bem o sabemos.
Para ver em Lisboa durante um mês. Depois segue para o Porto.
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