ICAM CAI NA AJUDA

Quando já não era esperado Pedro Behran da Costa chegou, atrasado mas chegou, ao Ministério da Cultura, no Palácio da Ajuda, para as duas audiências decisivas para o futuro do ICAM (Instituto Português do Cinema, Audiovisual e Multimédia) e para o seu próprio cargo de presidente do instituto.

01 de novembro de 2002 às 00:00
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Apresentado o relatório de contas, ministro e secretário de Estado da Cultura, respectivamente, Pedro Roseta e Amaral Lopes, não tiveram dúvidas em retirar a confiança política a toda a direcção do ICAM, o que teve como consequência imediata a demissão de Pedro Behran da Costa.

Culpas e culpados

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Em declarações ao Correio da Manhã, o secretário de Estado da Cultura falou directo e conciso: “Esta decisão, como é do conhecimento público, tem a ver com uma dívida exagerada que condiciona a actividade de todo o sector da produção audiovisual e cinematográfica que ascende, no momento actual e segundo os dados analisados, a mais de 12 milhões de euros”.

E conhecidas as culpas, apontou os culpados: “Tudo isto é resultado de uma inércia e de uma incapacidade de decisão que dura há dois anos e em relação às quais este Governo já tomou medidas concretas, que está agora a tentar regularizar, nomeadamente, através de acordos com a RTP, a SIC e a TVI que estabelecem uma calendarização para o pagamento da taxa, negociações estas que foram conduzidas pela direcção do ICAM com alguns erros graves, designadamente o ter aceite negociar partes da taxa como se ela pudesse ser divisível, não tendo em conta o outro beneficiário dessa receita, a Cinemateca. Mais: não houve qualquer relação instituicional nem de lealdade entre os dois directores gerais do mesmo ministério”, afirmou.

Incapacidades

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Amaral Lopes foi ainda mais longe:“Além disso há outros factores que revelam, sobretudo, incapacidade de resposta, afinal, aos primeiros dados, pedidos a 4 de Outubro, a resposta veio insipiente, insuficiente e pouco tratada. Pedida a reformulação, logo no dia 9, esta chegou no dia 30 e só veio confirmar a incapacidade de resposta eficiente perante uma situação tão grave e em tempo oportuno que, pelo menos, permitisse à tutela saber que dívidas tinha, que compromisso havia assumido, quais as perpectivas de cumprimento... Em suma: uma decisão objectiva ditada por uma incapacidade concreta”.

Posto isto, resta agora esperar porque, para a semana, há reunião de ministros no sentido de dotar o ICAM de... capacidade concreta!

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