INDÚSTRIA PORTUGUESA É COMPETITIVA E AMBICIOSA
As cores, as formas e os materiais que constituem o estilo indiscutível da estilista espanhola Ágatha Ruiz de la Prada dão vida a uma exposição retrospectiva a visitar até 18 de Janeiro próximo, na Cordoaria Nacional, em Lisboa. Ao Correio da Manhã, a criadora realçou a qualidade da indústria têxtil portuguesa, afirmando que "quase toda a moda espanhola é fabricada em Portugal".
Em '1000 Vestidos de Ágatha Ruiz de la Prada' é possível acompanhar os 20 anos de carreira desta estilista, cuja criatividade não se limita apenas ao vestuário mas estende-se às mais diversas áreas, como artigos de papelaria, roupa de casa, perfumaria, óculos e decoração.
A mostra reúne 70 vestidos criados entre 1981 e 2003, e apresentados em desfiles em Espanha, França, nos Estados Unidos e no Japão. Em cores alegres e garridas, os fatos atraem pelas suas formas geométricas e motivos inesperados, tais como aros, rodas, luzes, pássaros, espelhos, vasos e tecidos reciclados.
Quase todos estes modelos foram usados pela sua criadora, concretamente no casamento das filhas do Rei de Espanha, em 1995 e 1997, e, mais recentemente, o que levou à boda da filha de José María Aznar, chefe do Governo espanhol.
SEMPRE ACTUAIS
Ágatha Ruiz de la Prada quis, com esta exposição, mostrar aos portugueses que é, acima de tudo, uma desenhadora de roupa de mulher e não apenas a conhecida criadora de moda infantil, cadernos e óculos.
"Portugal começou a conhecer-me pelas minhas roupas de criança e objectos diversos. Mas, eu sou, e sempre fui, uma desenhadora de moda feminina muito gráfica", disse ao CM Ágatha Ruiz de la Prada, que se inspira na arte contemporânea e no abstraccionismo.
"O interessante desta mostra é que, apesar dos 20 anos de diferença que os separa, estes fatos mantêm-se sempre actuais", observou a criadora, acrescentando: "Trabalho sempre os mesmos temas (corações, flores, estrelas) mas mudo as formas e adapto materiais, cores e formas às tendências actuais".
HORROR NA ESTREIA
Reconhecida a nível mundial, a criadora recordou que, quando apresentou a primeira colecção, em 1981, em Espanha, as suas roupas causaram horror. "As pessoas ficaram horrorizadas. Não gostaram nada das minhas colecções. Pensavam que eu estava maluca, não só pelas cores mas, sobretudo, pelas formas pouco habituais. Mas, mesmo assim, tornei-me famosa em pouco tempo", disse.
Foram, porém, as roupas para crianças que ajudaram a estabelecer a sua fama. "As minhas colecções infantis eram vendidas por dois motivos. Primeiro, porque as mães, que queriam mas não se atreviam a usar um vestido meu, o compravam para as filhas. Depois porque, as roupas tinham uma extraordinária relação 'design' e qualidade e todas eram feitas em Portugal".
Aliás, realçou, "quase toda a moda espanhola é fabricada em Portugal, sendo a vossa indústria têxtil, ao contrário da espanhola, mais competitiva, moderna e ambiciosa".
Fazendo um balanço do ano prestes a terminar, Ruiz de la Prada mostrou-se feliz com os resultados. "Este ano foi muito importante para a marca, pois começámos a vender muito mais roupa de mulher. O que significa que, pela primeira vez, as mulheres se atrevem a vestir as minhas roupas. O que é um milagre", exclamou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt