João Gil: 50 anos de música num disco 'Inteiro'
Músico revisita canções que marcaram o seu percurso, apresenta temas inéditos e junta-se a nomes de diferentes gerações.
São 50 anos de música, de encontros, de experiências e de muitos caminhos percorridos. Para assinalar data 'redonda', João Gil decidiu reunir diferentes momentos da sua vida artística num novo álbum, intitulado ‘Inteiro’. Um trabalho que funciona como um retrato abrangente do músico que passou por projetos tão distintos como os Trovante, Ala dos Namorados, Rio Grande e Filarmónica Gil, sem esquecer o percurso a solo.
"É um disco que junta muitas franjas do que fiz, do que estou a fazer e do que quero fazer", começa por dizer o músico que mais do que celebrar uma carreira, expressão com a qual não se identifica particularmente, prefere falar em "50 anos de experiência e de vivências" numa "vida rodoviária", evocando "a estrada" e o "país real" de onde vem.
‘Inteiro’ é, por isso, um disco de encontros entre o passado e o presente, mas também de abertura a novas experiências. João Gil recupera algumas das canções que ajudou a criar e que ficaram na memória do público, apresentando-as agora com novos arranjos e uma interpretação diferente. "É mexer em temas que já têm versões originais muito conhecidas, mas senti que era o momento de o fazer. O denominador comum sou eu, o compositor dessas canções. Logo, sinto essa legitimidade e essa necessidade de voltar a dar alguma paternidade às coisas".
João Gil interpreta algumas das canções - dar voz foi algo que começou a trabalhar com "muito foco" no tempo da pandemia - mas traz também colaborações com artistas de diferentes gerações. Ana Bacalhau e Tatanka são dois dos convidados, num alinhamento que inclui ainda a participação de dois adolescentes em ‘Chamam-se Namorados’, uma canção que aborda a violência no namoro e convida os portugueses a olharem para o problema.
A poesia ocupa um lugar central neste trabalho, que reúne textos de diferentes autores. Entre eles está, o seu eterno parceiro de escrita, João Monge e Maria do Rosário Pedreira. Há ainda espaço para uma experiência em francês, com a cantora luso-francesa Inês Tavares, que trouxe um poema que conta "uma história profundamente humana e cinematográfica, sobre uma filha que regressa da cidade para visitar o pai, já com pouco tempo de vida".
‘Inteiro’, será editado em vinil em dezembro e terá um concerto de apresentação, antes de o músico voltar à estrada, para continuar a levar estas canções ao encontro do público.
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