Joaquim Letria morre aos 82 anos, uma das mais importantes vozes da história do jornalismo nacional
Começou o seu percurso aos 20 anos no Diário de Lisboa e fundou alguns dos mais importantes títulos nacionais.
Foi fundador dos semanários ‘O Jornal’ e ‘Tal & Qual’ e da revista ‘Sábado’. Foi repórter internacional da Associated Press, trabalhou na BBC, dirigiu a informação da RTP pós-25 de Abril e foi porta-voz da presidência da República, durante os mandatos de Ramalho Eanes. Foi presidente do Sindicato de Jornalistas, professor do ensino superior em várias instituições, apresentador de televisão e escritor. Joaquim Letria, um dos nomes mais importantes da história do jornalismo português – voz crítica e, por vezes, incómoda – morreu esta sexta-feira, em casa, aos 82 anos.
Dos momentos mais marcantes da sua carreira contam-se o dia em que entrevistou uma cadeira vazia (depois do ministro das Finanças Miguel Cadilhe ter faltado à entrevista), a cobertura da morte de Che Guevara, em 1967, na Bolívia, das guerras na Guiné e Moçambique enquanto repórter internacional da Associated Press e a moderação do icónico debate entre Álvaro Cunhal e Mário Soares em 1975, de onde saiu a célebre frase “olhe que não, doutor, olhe que não!”. Foi ele que trouxe para a televisão o revolucionário formato dos “apanhados”.
Nascido em Lisboa a 8 de novembro de 1943, Joaquim Letria filiou-se no Partido Comunista aos 16 anos. Aos 20, começou a trabalhar no Diário de Lisboa, tendo também colaborado com o Rádio Clube Português. Em 1974, recebeu o Prémio da Imprensa e, em 1986, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Em 2011, foi indemnizado pelo Estado português depois de o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) ter considerado que foi violada a liberdade de expressão (Letria tinha sido condenado em Portugal por difamação agravada por ter chamado “mentiroso” ao ex-presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Antero Gaspar). “Irreverente, desassombrado, sagaz, frontal e livre – quer como repórter e entrevistador, quer como fundador de jornais e revistas –, Joaquim Letria foi um dos grandes renovadores do jornalismo no nosso País”, escrevia ontem, numa nota de pesar, o Presidente da República, António José Seguro: “Portugal perde um dos nomes que definiram o jornalismo da democracia e uma figura incontornável na história da comunicação social e da televisão portuguesa.” Já para Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Joaquim Letria era um “profissional multifacetado da comunicação” e “uma das figuras mais marcantes do jornalismo do pós-25 de Abril”.
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