Lars Ulrich: “Acho que bebo demasiado chá...”

<p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt">Falámos em Cannes com baterista dos Metallica que desvenda o que vamos ver no filme/concerto ‘Metallica: Through the Never’, mas também do papel que a família tem na sua vida.

29 de setembro de 2013 às 18:16
Cultura, Metallica, filme, Lars Ulrich, entrevista, 'Metallica: Through the Never' Foto: D.R.
Partilhar

Correio da Manhã – Como descreveria o projeto ‘Metallica Through the Never?

Lars Ulrich – Trata-se de um drama que decorre durante os bastidores de um concerto dos Metallica. É a história de Trip, provavelmente a maior estrela de cinema daqui a dez anos, e que se chama Dane DeHaan. O filme acompanha as suas escapadas durante essa noite até regressar ao concerto. No meio desses afazeres, envolve-se na maior confusão.

Pub

- A ideia de fazer o filme em 3D e IMAX surgiu desde o início?

- A ideia do IMAX começou a ser falada há 15 anos, no final dos anos 90, quando estávamos em negociações com a IMAX para fazer outro filme, antes ainda dos cinemas começarem a mostrar os seus filmes em formato IMAX. Dantes, eram só filmes sobre dinossauros e montanhistas. Só que as câmaras eram ainda demasiado pesadas para fazer o que queríamos. Só quando o IMAX e o 3D se tornaram digitais é que pudemos avançar.

- De que forma será usado o 3D neste dos Metallica?

Pub

- Normalmente, estes filmes em 3D são vistos de fora, com as câmaras a olhar o palco. Aqui, as câmaras estão no palco e olham para nós e para fora. Mais do que ver um concerto dos Metallica, é estar dentro de um concerto dos Metallica, num palco. Percebemos que, neste caso, a ideia do 3D acrescentava escola e profundidade à experiência.

- Há alguma ligação entre a vossa música e as canções?

- Não existe uma ligação direta. A verdade é que muitos dos nossos fãs continuam a ser ainda muito jovens e gostamos de lhes mostrar o lado mais teatral da banda dos anos 80. Por isso, temos agora versões atuais desses temas.

Pub

- Será, então, um concerto normal dos Metallica?

- Claro que há temas que já ouviram antes, como ‘Fuel’, ‘For Whom the Bells Toll’, ‘Enter Sandman’, entre outras.

- Tem andado nesta vida do heavy metal há muitos anos, mas a verdade é que não está a ficar mais novo...

Pub

- Não estou a ficar novo... Eu sabia que alguém acabaria por me perguntar isso... (risos)

- Qual é o segredo para se manter em forma?

- Um segredo? Quando souber digo-lhe... Mas acho que bebo demasiado chá... (risos) Agora, como já não tomo drogas, é mesmo o chá que me faz mover. Bebo nove chávenas de Earl Grey por dia, o que me faz estar sempre a transpirar e nervoso, mas me dá uma energia tremenda.

Pub

- É sabido que a banda nem sempre se deu bem. Com é que funcionou desta vez?

- Depois da altura em que quase acabámos com o grupo, há dez anos, acho que encontrámos uma forma de nos mantermos unidos. Tudo está melhor agora. Podemos ter algumas discussões e diferenças criativas, mas... (risos) Há cinco anos que não fazemos um disco, mas quando essas diferenças se testam é quando estamos num estúdio a tentar fazer um disco. Será por isso que não o fizemos antes? (risos) Mas o ambiente nos Metallica está muito melhor, obrigado por perguntar... (risos)

- A idade não atrapalha?

Pub

- Ninguém está preocupado com isso. Estamos todos confortáveis com a nossa idade, a nossa vida e com o que temos. Somos menos narcisistas. Temos tocado em todo o mundo, África do Sul, Abu Dhabi, Irão, Iraque, Síria, Kuweit... Temos os olhos bem abertos.

- Até que ponto o facto de ser também um homem de família o ajudou a lidar com toda esta nova fase da vida para si?

- Acho que o melhor que aconteceu aos Metallica foi o facto de todos termos tido filhos ao mesmo tempo. É nessa altura que, por natureza, deixamos de pensar apenas em nós próprios. A família dá-nos outros assuntos para falar dentro da banda. Assim, posso ir no avião com James Hetfield a falar dos nossos filhos.

Pub

- Até que ponto os filhos acabam também por ser elementos críticos da banda? Ou são apenas fãs?

- O meu filho é bastante crítico. Tem 14 anos. Mas são todos amigos. Por acaso, o meu filho de 14 anos começou a trocar mensagens com a filha de 14 anos do Hetfield. Acho que é a coisa mais assustadora por que já passei... (risos)

- Assusta-lhe a ideia de um romance entre eles?

Pub

- Não tenho medo de muitas coisas, mas diria que isso é altamente improvável. Meus Deus, vamos ver como isso se desenrola... (risos).

- Acha que através deste projeto e esta narrativa poderá surgir algo que leve os Metallica para estúdio?

- A verdade é que estamos a imaginar um outro álbum dos Metallica no meio de tudo isto. Logo que este circo acabe, em outubro, iremos pensar num novo disco.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar