Mais sete salas encerradas agravam crise do cinema em Portugal

São já nove as cidades ou localidades do país sem salas de cinema ou com exibições condicionadas, entre elas Guarda, Caldas da Rainha, Portimão, Funchal e, agora, Leiria.

25 de janeiro de 2026 às 01:30
Salas de cinema continuam a encerrar em todo o País, por causa da perda de público e de faturação Foto: Ricardo Pereira
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São mais sete salas de cinema a encerrar, o que vem atestar a crise que o setor vive em Portugal. Contas feitas são já nove as cidades ou localidades do país sem salas de cinema ou com exibições condicionadas. Depois da Guarda, Caldas da Rainha, Portimão, Funchal e Seixal, a Cineplace - a segunda maior exibidora atrás da NOS Lusomundo Cinemas - acaba de encerrar as sete salas que explorava no LeiriaShopping desde 2010. A administração do Centro Comercial já se manifestou "alheia" à decisão, garantindo que está "a acompanhar a situação e a trabalhar ativamente para assegurar a melhor solução".

O encerramento das salas Cineplace em Leiria acontece cerca de duas semanas após a exibidora fechar os cinemas que explorava em centros comerciais na Guarda e nas Caldas da Rainha (Leiria), alegando a aplicação de um Plano Especial de Revitalização (PER). Na altura, a decisão implicou a paragem, no total, de oito salas de cinema nos complexos que a Cineplace explorava nos centros comerciais La Vie nas Caldas da Rainha e na Guarda, ficando as duas cidades sem exibição regular de cinema.

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Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), em 2025 a Cineplace explorava 62 salas de cinema em 12 complexos, sendo que no ano passado encerrou os cinemas em Portimão e no Algarve Shopping, na Guia, ambos no distrito de Faro, assim como no Madeira Shopping, no Funchal, e no Rio Sul Shopping, no Seixal (Setúbal). A Cineplace é uma marca pertencente à exibidora brasileira Grupo Orient, que opera em Portugal desde 2013, depois de ter assinado um acordo com a Sonae Sierra, proprietária de vários centros comerciais no país.

Mas a tendência de encerrar salas de cinema não fica por aqui. A NOS Lusomundo Cinemas encerrou recentemente cinco salas no MaiaShopping, cinco no Tavira Grand Plaza, seis no Fórum Viseu e, já no início de 2026, as 12 salas do complexo Alvaláxia, em Lisboa. Em 2024 e no primeiro semestre de 2025, recorde-se, já os distritos de Beja, Bragança e Portalegre tinham ficado sem exibição comercial regular diversificada e diária de cinema, ficando dependentes de equipamentos de gestão autárquica para passarem filmes. A próxima pode ser Viana do Castelo, uma vez que o Ministério da Cultura autorizou em 2025 um pedido de desafetação de atividade das quatro salas do Estação Viana Shopping (exploradas pela Cineplace). 

Na sequência do fim da exibição de filmes em vários espaços, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho para refletir sobre a exibição de cinema e o encerramento de salas no país. Esse grupo de trabalho, que integra a IGAC e o ICA, compromete-se a "olhar para o histórico dos últimos três anos" sobre pedidos de desafetação e a tirar conclusões no primeiro trimestre deste ano.

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A explicar este encerramento de salas não é alheio a quebra de público e de receitas. Em 2025, os cinemas tiveram mesmo o menor número de espectadores do século (exceptuando o período da pandemia). No ano passado, as salas de cinemas nacionais registaram 10,9 milhões de espectadores, uma quebra de 8,2% face a 2024, naquele que é o pior número desde 1996. No que toca âs receitas, o valor atingido no ano passado foi de 70,5 milhões de euros, uma redução de 3,9% em comparação a 2024.

A contrariar a tendência de quebra estão, curisoamente, as salas de cinema independentes que vivem um período de crescimento, com  especial destaque para o Cinema Trindade, no Porto e o o Cinema Medeia Nimas, em Lisboa.  Este último registou mesmo, ano de 2025, 88.512 espectadores um crescimento de 31,5% face a 2024. 

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