Mais visibilidade e crescente interesse: o cante alentejano foi elevado a Património da Humanidade há 10 anos

Atualmente existem 164 grupos corais ativos com 3105 cantadores.

26 de novembro de 2024 às 01:30
Selo da UNESCO mudou face do cante alentejano Foto: Nuno Veiga/Lusa
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Novos espaços para ensaios, um arquivo digital cada vez maior, mais visibilidade e um crescente interesse dos mais novos. Assim está o cante alentejano, dez anos depois de ter sido elevado a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, data que se assinala na quarta-feira.

A Câmara de Serpa, por exemplo, após ter estado na génese da candidatura e ter criado um museu, abriu um espaço para ensaios (Taberna dos Camponeses, na vila de Pias), estando a preparar um outro em Vila Nova de São Bento.

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A atribuição do selo da UNESCO provocou também um crescimento de grupos corais. Segundo João Matias, antropólogo e coordenador do Museu do Cante Alentejano, o inventário nacional registou “este ano 164 grupos corais ativos, com 3105 cantadores, cuja maioria, cerca de 60%, está no distrito de Beja, seguindo-se Évora e Lisboa”, com destaque para a curiosidade de estarem a surgir grupos de cante no ‘coração’ da capital, como em Alcântara e Benfica. De referir, também, que o cante tem atraído os mais novos. Entre os exemplos estão o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa e o Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento, que contam com elementos na faixa etária dos 20 anos.

“Não só estamos a ver grupos jovens, como estamos a ver jovens a fazerem parte de grupos já consagrados, com pessoas de outras gerações”, diz a musicóloga Salwa Castelo-Branco, presidente do Instituto de Etnomusicologia. Está também cada vez mais completo o Arquivo Digital do Cante, lançado em maio deste ano. Disponíveis online ainda só estão dois mil documentos, mas cerca de 30 mil já foram digitalizados. 

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