Manoel de Oliveira faz hoje 105 anos
O realizador está "desejoso de voltar a filmar", diz ao ‘CM' Ricardo Trêpa, neto do cineasta.
"O meu avô está muito bem, recuperou dos problemas de saúde e está desejoso de voltar a filmar", diz Ricardo Trêpa, neto do cineasta Manoel de Oliveira, que esta quarta-feira completa 105 anos.
Para assinalar a data, o Museu da Imprensa, no Porto, inaugura, às 15h30, a exposição ‘Manoel de Oliveira, 105 Revistas', que reúne peças jornalísticas publicadas em torno da obra do realizador quer em Portugal quer no estrangeiro. Às 18h30 é apresentado o bule Aniki-Bóbó, peça de edição limitada da autoria do artista plástico Manuel Casimiro, filho de Manoel de Oliveira, na loja da Vista Alegre na rua Cândido dos Reis, no Porto.
VIDA CHEIA AOS 105 ANOS
O cineasta nasceu a 11 de dezembro de 1908, no Porto - embora o registo fixe a data de nascimento no dia seguinte - no seio de uma família da alta burguesia nortenha, sendo o seu pai o primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal.
Foi atleta, campeão nacional de salto à vara, corredor de automóveis e viveu uma juventude de boémia em que se destacam as tertúlias no Café Diana, na Póvoa de Varzim, com amigos como José Régio e Agustina Bessa-Luís.
Mas foi ao cinema que consagrou a sua vida, começando como ator num filme de Rino Lupo, em 1928, e estreando o seu primeiro filme, a curta-metragem documental "Douro, faina fluvial", em 1931.
A sua primeira longa-metragem de ficção só surgirá em 1942, "Aniki-Bobó", que, apesar de hoje ser considerado um clássico, foi um fracasso comercial, o que o terá levado a suspender a atividade cinematográfica, a que regressará em 1963, com "O ato da primavera " e, no ano seguinte, " A caça", um filme que lhe causou problemas com a polícia política.
Nova paragem até 1971, ano de "O passado e o presente", começando, a partir daí e até hoje, a ter uma atividade constante no cinema, em que contabilizou 32 longas-metragens, entre as quais "Francisca", "Le soulier de Satin", "A divina comédia", "Vale Abraão", "Belle Toujours", "Vou para casa" ou "Singularidades de uma rapariga loura". "A igreja e o diabo foi o último filme", no ano passado.
Premiado em inúmeros festivais de cinema, como Cannes e Veneza, foi doutorado honoris causa por diversas universidades e é comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e das Artes e Letras Francesas.
Nos 80 anos de atividade cinematográfica, Manoel de Oliveira fixou um percurso que é considerado fundamental na história do cinema português, nem sempre consensual, nem sempre compreendido pelo público, mas quase sempre unanimemente elogiado pela crítica.
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