Meryl Streep magistral como Margaret Thatcher (COM TRAILER)

Não havia a mínima dúvida de que ‘A Dama de Ferro’, em estreia esta quinta-feira nos cinemas nacionais, seria um filme controverso à partida. Levar ao cinema a vida recheada de Margaret Thatcher, a primeira mulher a assumir a liderança de um governo ocidental, era um desafio difícil. E só mesmo Meryl Streep para levá-lo a bom porto, a tal ponto que é já considerada a provável vencedora do Óscar de Melhor Actriz.

08 de fevereiro de 2012 às 18:00
Meryl Streep, Margaret Thatcher, A Dama de Ferro, Festival de Berlim, Óscar, Reino Unido Foto: D.R.
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Mas se a crítica se tem rendido à interpretação (uma vez mais) magistral da veterana - que com este papel conquistou a 17.ª nomeação a um Óscar -, o mesmo não tem acontecido com o filme realizado por Phyllida Lloyde, que tem divido opiniões, como há duas décadas aconteceu com a gestão dura levada a cabo pela própria primeira-ministra britânica aqui biografada. E há até quem o chame de inoportuno...

David Cameron, actual chefe de governo britânico, partilha dessa opinião. “Não posso deixar de perguntar-me se não poderiam ter feito o filme noutra altura”, disse o governante à Radio Four, criticando o ‘timing’ da película, ainda em vida de Thatcher, que não estará na posse total das suas faculdades mentais. “É mais um filme sobre envelhecimento e demência, do que sobre uma fantástica primeira-ministra”, frisou.

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Mas a trama vive muito dos momentos marcantes da carreira da ‘Dama de Ferro’, rótulo que se lhe colou à pele devido à mão pesada e à frieza com que enfrentava as reacções adversas às suas duras reformas políticas.

Em avanços e recuos, à medida da memória distorcida de uma Thatcher octogenária, 'A Dama de Ferro' desliza entre a ascensão ao poder e a fragilidade da mulher mais polémica do Reino Unido, já numa fase envelhecida, atormentada pelas visões do defunto marido. E fá-lo sem julgamentos, arrependimentos ou tomadas de partidos.

A narrativa, apesar do ritmo, torna-se no entanto algo enfadonha. Não fosse, de facto, a interpretação sublime de Streep e o filme não seria memorável. Mesmo com carregadas de maquilhagem e próteses que ajudam na travessia dos tempos, a actriz comanda a acção e domina o ecrã o tempo todo. E é mesmo a razão que faz de ‘A Dama de Ferro’ um filme a não perder.

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O filme está também em destaque no Festival de Cinema de Berlim, que arranca esta quinta-feira (até dia 19). No certame, Streep receberá o Urso de Ouro honorário pela sua carreira.

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