Mónica Garnel saltitante de emoção no Aberto

<p align="justify" class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt">É a expressividade física e emocional de Mónica Garnel que fazem de ‘A Acompanhante’ – em cena no Teatro Aberto, Lisboa, até dia 27 de julho – um espetáculo inesquecível. Ao texto de Cecília Ferreira, considerado pelo júri da SPA – Sociedade Portuguesa de Autores e pelo Novo Grupo como a melhor peça de 2013, Gonçalo Amorim respondeu com um jogo de corpo que põe a atriz a fazer piruetas, flique-flaques, cambalhotas e saltos mortais.

14 de julho de 2014 às 21:07
Cultura, Teatro, crítica de teatro, Teatro Aberto, 'A Acompanhante', Mónica Garnel, Gonçalo Amorim, Cecília Ferreira Foto: Teatro Aberto
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O encenador dirigiu Garnel como se fosse maestro de um show de atletismo emocional (lembram-se de Artaud?): enquanto desfia o rol de amantes que a sua personagem (Luzia) já teve, Mónica Garnel desmultiplica-se em estados emotivos diferentes. Para cada homem de quem nos fala, parece uma mulher diferente. Como se cada amante lhe exigisse uma nova personalidade, uma nova forma de amar.

Amante? Talvez não. O monólogo de Cecília Ferreira – que é interessante e capaz de criar mistério, embora algo repetitivo – encerra uma surpresa no final. O título, ‘A Acompanhante’, sugere ao espectador que vai ouvir as memórias de uma prostituta. Mas é de outro tipo de companhia que estamos a falar…

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Luzia é, isso sim, uma acompanhante de mortos. A personagem padece de uma neurose obsessiva que gira em torno da morte e do culto dos mortos, tal como é praticado na religião católica. Por isso, o cenário dominado pela cor branca (de Catarina Barros) vai, no final, transformar-se totalmente para evocar o universo negro das viúvas e das carpideiras. E demonstrar a imensa teatralidade de velórios e funerais, e da forma como lamentamos as nossas perdas.

Plasticamente muito agradável, não só mercê da cenografia mas também do cuidadoso trabalho de luzes (de José Manuel Rodrigues), ‘A Acompanhante’ é um espetáculo saltitante que se acompanha do princípio ao fim, sem conseguir tirar os olhos da versátil protagonista.

É para ver de quarta a sábado às 21h30, domingos às 16h00.

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