Morreu ex-director do Instituto Goethe em Lisboa

O escritor e tradutor Curt Meyer-Clason, responsável pela tradução de numerosas obras- primas da literatura portuguesa e latino-americana para Alemão, faleceu no passado dia 13 de Janeiro, em Munique, com 101 anos, informou neste sábado a família.

21 de janeiro de 2012 às 14:09
alemanha, instituto goethe, óbito, tradutor, tradução, munique, curt-meyer glason Foto: d.r.
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Meyer-Clason tornou-se conhecido nos meios intelectuais portugueses sobretudo entre 1969 e 1976, período em que dirigiu o Instituto Goethe em Lisboa, tornando-o num verdadeiro "porto de abrigo" de escritores e outras destacadas figuras da vida nacional contra a ditadura salazarista.

Nos seus ‘Diários Portugueses’, o tradutor alemão relatou os acontecimentos da época, desde a queda de Salazar à Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974, passando pela chamada "primavera marcelista".

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Quando terminou o seu mandato em Lisboa, por ter atingido a idade da reforma, houve uma campanha em Portugal para tentar convencê-lo a ficar, e o semanário ‘O Jornal’ escreveu então que o Instituto Goethe na capital portuguesa era "um estímulo, um espaço pretegido e uma porta aberta para a Europa".

O livro é também uma resenha dos encontros que Meyer-Clason manteve, na época, com autores portugueses e numerosos dissidentes e da forma como transformou o Instituto Goethe num grande centro cultural lisboeta, dirigindo convites a grandes vultos intelectuais alemães da época, como Werner Herzog, Peter Weiss, Günter Grass, Heinrich Böll ou Hans-Magnus Enzensberger para saraus literários ou palestras.

"TORNEI-ME OUTRA PESSOA"

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Filho de um oficial do exército prussiano, nascido em 1910, em Ludwigsburg, no seio de uma família conservadora, Meyer-Clason interrompeu o curso dos liceus para se tornar um homem de negócios e começou a sua atividade profissional como vendedor de um fabricante de têxteis norte-americano em França, no Brasil e na Argentina.

Em 1942, foi detido no Brasil, sob a a acusação de espionagem para o regime nazi, e passou quatro anos no presídio de Ilha Grande.

Foi outro recluso alemão, o barão Gerhard von Klein, que lhe despertou o interesse pela literatura.

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"Naquela época, tornei-me outra pessoa", disse Meyer-Clason mais tarde.

De regresso à Alemanha, criou a sua própria editora e começou a traduzir obras literárias para Alemão, sobretudo do Castelhano e do Português, mas também do Inglês e do Francês.

Entre os autores portugueses que verteu para Alemão contam-se Eça de Queirós, camilo Castelo Branco, Miguel Torga, Fernando Namora, Carlos de Oliveira, Almeida Faria, Urbano Tavares Rodrigues, Jorge de Sena, Eugénio de Andrade e Sofia de Mello Breyner-Andresen.

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