MORREU JACINTO RAMOS
O actor e encenador Jacinto Ramos morreu esta quinta-feira, em Lisboa, vítima das consequências irreversíveis no cérebro de uma queda que deu no passado domingo. Tinha 87 anos de idade.
Nascido a 3 de Outubro de 1917, Jacinto Ramos entrou no teatro em 1950, apadrinhado por Amélia Rey Colaço, integrando a companhia Rey Colaço/Robles Monteiro no Teatro Nacional D. Maria II. Estrou-se na peça "Curva Perigosa" e protagonizou na companhia nacional "Sonho de Uma Noite de Verão" (William Shakespeare), "Casaco de Fogo" (Romeu Correia), "Menina Júlia" (Strindberg), "Os Maias" (Eça de Queiroz), entre outras peças.
Com o seu temperamento inquieto marcou de forma indelével o teatro português no último meio século. Foi não só uma figura maior dos palcos nacionais como um motor vivo do teatro amador, através da fundação de diversas companhias, nomeadamente o CITAC em Coimbra e na Faculdade de Direito de Lisboa, o Teatro d'Hoje, Teatro de Novos para Novos e Teatro Experimental de Lisboa. Ainda nos palcos, muito fez pela divulgação da poesia portuguesa, nomeadamente com Eunice Muñoz e Luz Franco em "Portugal e os Seus Poetas", interpretada em Goa em 1981. Quatro anos depois leva o espectáculo "Cantando Espalharei" à Ásia e à América do Sul.
Destacou-se também no cinema, participando em filmes como "Pátio das Cantigas", "Pai Tirano", "Ladrão Precisa-se", "Chaimite", "A Costureirinha da Sé", "Benilde ou a Virgem Mãe" e "Manhã Submersa", entre outros. Na televisão trabalhou nas telenovelas "Origens", "Palavras Cruzadas" e "A Banqueira do Povo". Ficam na memória os muitos 'duetos' com Eunice Muñoz e a prodigiosa interpretação de "Diário de Um Louco" de Gogol.
Jacinto Ramos residia e morreu na Casa do Artista, em Lisboa. A morte terá sido resultado de um hematoma com repercussões no cérebro devido a uma queda que deu no passado domingo. Era actor, encenador, realizador e coreógrafo, traduziu várias peças de teatro e publicou o livro "Esta é a Ditosa Pátria Minha Amada", com Luz Franco. Era, desde 1994, comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada.
"Foi um homem importante no teatro português (...) um actor selvagem" João Lourenço (encenador)
"Partiu um grande colega, muito inteligente, culto e com muito sentido de humor" Fernanda Borsatti (actriz)
"Perdi um grande amigo e colega e sei que está a descansar em paz e com Deus. Não há palavras quando se perde alguém que é verdadeiramente importante" Mariana Rey-Monteiro (actriz)
"Foi sempre um rebelde e um inconformado, mas um excelente profissional, homem de grande cultura, o que aliás se notava pela sua exigência nos textos que escolhia" Alina Vaz (actriz)
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