Morreu Júlio Pomar, o mestre rebelde e inovador da pintura
Tinha 92 anos. Fica na história da cultura portuguesa com uma obra marcada por vários estilos, espalhada de norte a sul do País.
Um inovador e criativo irreverente, profundamente rebelde", que "esteve sempre à frente do seu tempo" e que "marcou boa parte do século XX e a transição para o século XXI" em Portugal, "mantendo-se sempre jovem". Foi assim que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou Júlio Pomar. O artista plástico morreu esta terça-feira, no Hospital da Luz, em Lisboa, aos 92 anos. O País está de luto.
Nasceu na capital em 1926. Quando era criança gostava mais de desenhar do que jogar à bola. E foi nessa altura que projetou algo impensável para a época: viver da pintura. O primeiro quadro foi vendido a Almada Negreiros, por seis escudos, e não mais parou.
Tanto que se tornou num dos artistas mais conceituados da arte moderna e contemporânea portuguesa.
A sua obra - influenciada pela literatura, a resistência política (foi opositor do regime de Salazar, tendo inclusive sido preso), o erotismo e as viagens a lugares recônditos - atravessou mais de sete décadas, vários estilos, está espalhada um pouco por todo o País e integra coleções de museus na Bélgica, em Paris e no Rio de Janeiro.
Entre as suas mais inesquecíveis criações estão ‘O Almoço do Trolha’, ícone do movimento neorrealista (vendida em leilão por 350 mil euros, em 2015); o retrato oficial do Presidente da República Mário Soares, que figura na galeria dos retratos no Museu da Presidência da República e que foi, à época, uma pedrada no charco; ‘Circé à la toupie’ ou ‘La Bas Noir’, um acrílico sobre tela de 1995, vendido por 150 mil euros em 2014; ou as representações de Pessoa, Bocage, Camões ou Almada Negreiros, em azulejo, no metro do Alto dos Moinhos, Lisboa.
Um homem de várias artes, inúmeras vezes distinguido
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