País despede-se do cronista da Liberdade
Artista João Abel Manta, que fez a "crónica gráfica" do 25 de Abril, vai ser cremado este domingo.
O Presidente da República, António José Seguro, chamou-lhe “historiador em movimento” e a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, adjetivou-o como “talentoso artista da liberdade”.
O artista plástico, arquiteto, pintor e ilustrador João Abel Manta morreu na sexta-feira, em casa, aos 98 anos. Devemos-lhe, nas palavras do ilustrador e cartoonista André Carrilho, “a crónica gráfica de um país que saiu da noite para o dia, antes e depois do 25 de Abril”. Factos e figuras do pré e do pós Revolução foram imortalizados pelo traço, pelo humor e pelo profundo sentido crítico deste criador que era já um artista consagrado – como arquiteto, desenhador e pintor – quando, aos 40 anos, começou a publicar intensamente na imprensa, na qualidade de cartoonista e caricaturista, faceta que prevalece, ainda este domingo, acima de todo o seu percurso multidisciplinar.
Nascido em 1928, filho dos pintores Abel Manta e Clementina Carneiro de Moura, João Abel Manta formou-se em Arquitetura, em 1951, tendo-se dedicado à pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustração, artes gráficas e cartoon.
Entre as suas obras mais visíveis, destaque para as intervenções nos pavimentos de mosaico para arruamentos na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e na Figueira da Foz, e o revestimento do mural da Avenida Calouste Gulbenkian, aplicado em 1980.
Comprometido com os valores da democracia, o ativismo político levou-o à cadeia em 1948, mas nem por isso lhe travou o ímpeto crítico.
Neste domingo, 17 de maio, entre as 11h30 e as 12h45, é possível prestar homenagem ao artista no crematório do Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
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