Morreu pintor português Benjamim Marques
O pintor português Benjamin Marques, 74 anos, morreu quinta-feira em Paris, na sequência de complicações de uma cirurgia ao coração realizada num hospital da cidade, disse fonte da Perve Galeria, de Lisboa.
De acordo com a mesma fonte, o pintor, que residia em Paris há mais de 50 anos, "faleceu de forma inesperada", depois de uma cirurgia realizada no Hospital Georges Pompidou.
A Perve Galeria recorda que o pintor, nascido em Lisboa, em 1938, tinha sido membro do ‘Grupo do Café-Gelo’, liderado por Mário Cesariny, que, nos anos 1960, sucedeu ao grupo ‘Os Surrealistas’.
Radicou-se em França devido à discordância com o regime político de Oliveira Salazar, que lhe retirou a nacionalidade, e naquele país, recorda a Galeria, "empreendeu um trajecto artístico de assinalável expressão, realizando em Paris inúmeras exposições que lhe valeram vários prémios".
Manifestando "grande pesar e consternação" pela morte do artista, a Perve Galeria assinala ainda que, em Setembro de 2010, acolheu a exposição intitulada ‘Cadavre-trop Exquis’, onde, com Isabel Meyrelles e Cruzeiro Seixas, Benjamin Marques apresentou um conjunto alargado de trabalhos individuais e colaborativos.
Benjamim Marques frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, e, posteriormente, em Paris, a Escola Nacional Superior de Belas Artes, a Escola do Louvre, e a Universidade Internacional do Teatro das Nações.
Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar pintura e História da Arte e, proposto por Almada Negreiros, estudou sob a direcção da pintora Maria Helena Vieira da Silva, que também viveu muitos anos em Paris.
Em Portugal, participou em 24 exposições colectivas e fez uma exposição individual no Casino Estoril. Foi comissário para exposições de arte em Nanterre, e director de cena do teatro para os imigrantes portugueses, na Casa da Cultura daquela cidade.
Naturalizado francês, depois de Salazar lhe ter retirado a nacionalidade portuguesa, só em Abril de 1974, após a Revolução dos Cravos, recuperou a nacionalidade de origem, e foi nomeado director do Teatro da Trindade, em Lisboa.
Regressou a Paris em Julho de 1976, onde trabalhou como director de arte da agência Havas, dirigindo a oficina de videografia e foi freelancer em videografia durante onze anos.
Em 1987, retomou a pintura e em 1998 representou oficialmente a França na Exposição Mundial de Lisboa, Expo98 com ‘21 Lettres de Vasco de Gama au roi D. Manuel Iº- 1498’, após a sua exposição na Galeria Dialogue, em Paris.
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