MORREU VÁZQUEZ MONTALBÁN

Manuel Vázquez Montalbán, um dos mais conhecidos escritores espanhóis, morreu ontem no aeroporto internacional de Banguecoque (sexta-feira em Lisboa), aparentemente vítima de ataque cardíaco.

19 de outubro de 2003 às 00:00
MORREU VÁZQUEZ MONTALBÁN Foto: Alessia Paradisi
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Montalbán, que tinha 64 anos, chegara num voo proveniente de Sydney às 23h30 locais (17h30 de sexta-feira em Lisboa), e preparava-se para apanhar um avião da Thai Airways com destino a Madrid. O escritor e jornalista regressava da Austrália onde fizera um ciclo de conferência dedicadas à literatura policial.

De acordo com fontes policiais, Montalbán - que viajava sozinho - sentiu-se mal assim que desceu do avião, foi assistido de imediato na enfermaria do aeroporto mas acabou por falecer numa "questão de minutos", pouco depois da meia-noite hora local (18h00 em Portugal).

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O corpo do universalmente conhecido criador do detective Pepe Carvalho foi depois trasladado para o instituto de medicina legal da capital tailandesa para ali ser autopsiado. Segundo informações da diplomacia espanhola em Banguecoque citadas pelo jornal "El Mundo", os resultados da autópsia serão conhecidos amanhã, sendo de imediato iniciados os preparativos para o repatriamento do corpo.

Embora o seu estado de saúde fosse considerado bom, Vázquez Montalbán sofria de uma doença cardíaca que o levara a realizar intervenções cirúrgicas para a implantação de quatro "by-pass".

TRADUZIDO EM 24 LÍNGUAS

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Nascido em Barcelona em Julho de 1939, Manuel Vázquez Montalbán deixa uma obra literária traduzida em 24 línguas, cuja imagem mais visível é o detective privado e gastrónomo Pepe Carvalho.

Fiel ao comunismo catalão e ao antifacismo, condenado a três anos de prisão em 1962, Montalbán era um comentador político ácido e colaborador regular do jornal "El Pais". O seu principal herói, em 50 romances policiais, é Pepe Carvalho, a quem incutiu o amor pela culinária, que ele próprio praticava e criticava com conhecimento de acusa.

Tal como na gastronomia, a série de Carvalho era um hino permanente a Barcelona. Montalbán revelou também capacidade para ultrapassar o particularismo político em "Autobiografia do General Franco", evocou a ditadura do dominicano Trujillo em "O Mistério Galindez" e o drama dos desaparecidos da ditadura argentina em "Quinteto de Buenos Aires".

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Como poeta, ensaísta, romancista e dramaturgo recebeu todo o género de distinções das Letras hispânicas, sendo o principal o Prémio Planeta em 1979.

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