Não procuro papéis de herói

Harrison Ford, o actor cujos filmes geraram a maior receita acumulada de sempre, regressa ao grande ecrã com ‘Firewall’, um filme em que interpreta um técnico de segurança de sistemas informáticos. Em entrevista ao CM, o actor revelou que até nem tem queda para filmes de acção.

30 de março de 2006 às 00:00
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Correio da Manhã – O que o motivou a participar em mais um filme de acção?

Harrison Ford – Foi a história. Quando a li, percebi que poderia inspirar uma boa experiência para o espectador. Por outro lado, o tipo de situações por que passa a minha personagem poderá ser algo que o público possa estar interessado em sentir.

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– São frequentes na sua carreira os papéis de herói. É algo com que se identifica?

– Eu não sou um herói, eu tento apenas fazer parte da história. Não procuro papéis de herói, mas sim uma personagem que possa motivar o interesse de outras pessoas.

– Em todo o caso, abundam os papéis em que assume uma personagem forçada a sair de circunstâncias adversas. O que o atrai nestes filmes?

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– É essa comunicação com o público. O importante para o público é aquilo que ele não sabe, como se vai desenrolar a intriga e o que irá sentir durante esse trajecto. Para mim, esse trabalho motiva uma emoção da personagem e a criação de uma relação emocional com o espectador.

– Por outro lado é também habitual a sua presença em cenas de esforço físico. Sente-se à vontade com esta exigência?

– A verdade é que não tenho de me empenhar tanto como se vê no ecrã, mas apenas seguir as coreografias preparadas. É quase como uma dança. Por outro lado, não é assim tão difícil como parece. Por isso fico muito satisfeito por continuar a fazer papéis com alguma participação física.

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– E como se prepara para estas sequências de acção?

– Tento estar em forma. O aspecto físico é apenas um outro caminho para contar uma história. Quando funciona bem acaba por prolongar a história. Só quando alguém voa pela sala após um golpe de karaté é que acho que se pode perder conteúdo emocional. Para mim, uma luta é apenas um aspecto discreto da história e deve permanecer como tal.

– ‘Firewall’ é um filme em que a tecnologia de comunicação é uma parte integrante. Como lida com as inovações tecnológicas?

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– Eu uso bastante os computadores e a tecnologia no meu dia-a-dia. São elementos úteis e tornam as coisas mais fáceis. Seja o ‘mail’, o telemóvel ou a internet.

– Usa muito a internet?

– Sim, uso sobretudo para fazer pesquisas e procurar informação. Mesmo sem estar tão por dentro destes assuntos como a minha personagem no filme, procuro estar minimamente actualizado.

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– Antes de ser uma estrela foi carpinteiro. De que forma essa actividade influenciou a profissão de actor?

– Antes de ser carpinteiro já era actor. Tornei-me carpinteiro precisamente para escolher melhor os papéis que mais me interessavam. Por outro lado, não foi a carpintaria que influenciou o meu trabalho de actor, mas sim a representação que influenciou a minha carpintaria…

"É UM PRAZER VOLTAR A SER INDIANA JONES"

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CM – Como se sente por voltar a interpretar Indiana Jones?

A.F. – É um prazer voltar a ser Indiana Jones. É também um projecto muito aguardado por todos os que gostaram dos filmes anteriores. E gosto muito de trabalhar com o Steven (Spielberg) e o George Lucas.

– Como está a evoluir o guião?

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– Já está terminado, embora o Steven esteja ainda a fazer alguns melhoramentos.

– Quando começam as filmagens?

– Acho que estaremos prontos para começar a filmar algures no ano que vem.

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"REALIZADOR NÃO É MUITO BEM PAGO"

CM – Já pensou alguma vez em passar para trás das câmaras e realizar um filme?

A.F. – Não. É muito difícil, demora muito tempo e não é lá muito bem pago. Para ser sincero, adoro o que faço e não tenho a aptidão para a realização. Tenho outros interesses para além do cinema e prefiro usar o meu tempo livre para os prosseguir do que passar dois anos a fazer o mesmo filme.

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Filho de pai irlandês e mãe russa, Harrison Ford nasceu a 13 de Julho de 1942, em Chicago. Ainda estudante, o jovem Ford descobriu que poderia fazer sucesso no cinema, mas nem a série de TV ‘The Virginian’ nem o filme ‘Ironside’ (1967) lhe trouxeram o sucesso desejado, acabando por se dedicar à carpintaria.

A sorte mudou quando participou em ‘American Graffiti’ (1973) e, sobretudo, com ‘Guerra das Estrelas’. A partir daí, a sua carreira ‘descolou’ em direcção ao estrelato, que chegou com os episódios seguintes da saga e, sobretudo, com ‘Indiana Jones’. Harrison Ford tornou-se então no mais lucrativo actor de sempre, apesar de nunca ter ganho um Óscar.

Da sua carreira fazem parte filmes como ‘Blade Runner – Perigo Iminente’, ‘Jogos de Poder’, ‘O Fugitivo’ e ‘Força Aérea 1’. Em 2007 vai filmar ‘Indiana Jones 4’ e ‘Manhunt’, sobre a caça ao assassino de Lincoln.

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