Nasceram 'Os Maias' interativo

Livro inclui códigos QR que dão, ao leitor, acesso ao mundo em que Eça viveu e escreveu.

26 de julho de 2026 às 01:30
Francisco José Viegas Foto: Nuno Fernandes Veiga
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Quase 140 anos depois de publicação de ‘Os Maias’, o leitor comum perdeu as referências partilhadas por Eça e pelos seus conterrâneos. Vai daí, o editor Francisco José Viegas decidiu dar a obra-prima a ler com direito a explicação visual, imediata, sobre tudo aquilo que se escreve. Um código QR dá acesso rápido a “muitos pormenores que o Eça descreve em matéria de decoração, vestuário, música ou pintura”. “Pensámos numa forma de fornecer essa informação sem que a edição de ‘Os Maias’ tivesse três ou quatro mil páginas”, explica o diretor editorial da Quetzal. “Os códigos QR são de fácil acesso e permitem que se esteja a ler aquele episódio da récita do São Carlos, e se possam a seguir ouvir os trechos musicais de que se fala. Ou ver a pintura do Velázquez de que há uma cópia no Ramalhete”, nota Francisco José Viegas, que teve ajuda, nesta empreitada, do historiador André Canhoto Costa. “Ele, que é um picuinhas d’ ‘Os Maias’ como eu, estabeleceu mais de duas centenas de links que podem ajudar os estudantes (e os professores também) a caminhar pelo romance como se pertencessem àquele mundo...”, garante.

O livro já está à venda e o responsável espera que tenha “bastante impacto”. “É o nosso romance mais canónico, por assim dizer, aquele em que pensamos quando se fala de romance clássico. Acho que quando gostamos de um livro queremos saber tudo sobre ele, saber que referências ele dá daquele mundo, como se vestiam as personagens, o que comiam. Esta edição está preparada para mostrar como são de fato essas referências, através de imagens, de vídeos do Youtube, de ficheiros mp3. Digamos que faz a busca dessas referências.” Seguem-se ‘Amor de Perdição’, ‘Viagens na Minha Terra’, ‘A Queda dum Anjo’, a ‘Morgadinha dos Canaviais’ e “por aí fora”, promete Francisco José Viegas.

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