Novo livro ‘limpa’ PIDE

O Exitus de Humberto Delgado e as Eleições de 1958’, livro ontem apresentado em Lisboa para "pôr em causa a versão corrente de que Delgado foi morto pela PIDE", baseia-se num depoimento do já falecido Rosa Casaco. Porém, tal declaração é contrariada por outras do ex--inspector da polícia política.

01 de julho de 2008 às 00:30
Novo livro ‘limpa’ PIDE Foto: Bruno Colaço
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Em abono da tese, o autor, João Gomes, diz ter feito uma investigação 'fundamentada em factos e contactos com ex-dirigentes da polícia portuguesa [PIDE] que estão vivos'. Na obra de 78 páginas, o empresário de 51 anos, admirador de Salazar, diz que ao inquirir Rosa Casaco sobre Delgado, este lhe respondeu: 'Nós não fomos. O general não compareceu ao encontro.'

Rosa Casaco foi condenado à revelia, em 1981, a oito anos de prisão pelo seu papel na morte de Humberto Delgado perto de Villanueva del Fresno (Espanha). Numa entrevista ao ‘Expresso’, em 1998, confirmou a presença no local e data do crime acompanhado por três elementos da PIDE – Ernesto Ramos, Casimiro Monteiro e Agostinho Tienza – e admitiu queMonteiro abateu o general.

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Apesar disto, João Gomes atribui a morte ao ‘Grupo de Argel’, integrado por opositores ao Estado Novo. Em defesa da tese, já antiga, argumenta que no dia do homicídio 'foi expedido da Estação de Correios de Badajoz, um telegrama cifrado, com o teor: ‘Tudo resolvido, caso arrumado.’' Essa informação é atribuída a 'relato oficial de fonte que solicitou anonimato'.

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