"Nunca pretendi filmar a violação” (C/TRAILER)

Peter Jackson explica como foi adaptar ‘Visto do Céu’, livro de Alice Sebold, em que a protagonista é morta no início. O filme já está em exibição.

14 de março de 2010 às 00:30
"Nunca pretendi filmar a violação” (C/TRAILER) Foto: direitos reservados
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Correio da Manhã – Depois de ‘O Senhor dos Anéis’ e ‘King Kong’, filmar ‘Visto do Céu’ foi um desafio?

Peter Jackson – Não tenho propriamente um plano para os filmes que farei a seguir. Tenho mais certezas sobre o que não quero fazer. E o que não quero é repetir-me.

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– Percebe-se que poderia ter seguido um caminho mais brutal ao adaptar o livro de Alice Sebold...

– Nunca pretendi filmar a cena de uma menina de 14 anos a ser morta e violada. Nem queria que o público tivesse de passar por isso. O que nos interessava era mostrar o que sucede depois de morrermos.

– Esteve sempre ciente de que iria usar efeitos especiais?

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– Os efeitos especiais vieram mais tarde, mas a criação desse mundo para onde Susie Salmon vai depois de morrer aconteceu logo no guião. E com a premissa de que não era um mundo físico e real. Partimos da ideia de que o espírito dela abandona o corpo e passa a habitar um ambiente de sonho.

– A Saoirse Ronan é uma revelação no filme. Como a encontrou?

– Quando estávamos a fazer audições para o filme, chegou-nos pelo correio um DVD enviado pelo pai da Saoirse com imagens captadas no quintal de sua casa, na Irlanda, em que ela fazia belas interpretações de cenas da protagonista. Percebemos logo que tínhamos encontrado a Susie. Com ela tudo parece vir de um lugar natural.

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– Em que ponto está o seu projecto de fazer um filme sobre o Tintim?

– Está a andar bem. Vou realizar o segundo filme da série. O Steven Spielberg (‘Tintim e o Segredo do Licorne’) não pode ficar com tudo... (risos).

– Já sabe qual dos livros vai adaptar?

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– Ainda não. Vou ter de pensar nisso.

– Mas é fã de banda desenhada?

– Sim, completamente. Sou um grande fã.

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PERFIL

Peter Jackson: Nascido em 1961, o neozelandês é a figura de proa do cinema fantástico. Após a trilogia ‘O Senhor dos Anéis’ e ‘King Kong’, adaptou o livro de Alice Sebold em que uma menina observa o efeito da sua morte na família e no seu assassino.

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