Nunca serei uma senhora advogada
Manuela Azevedo, vocalista do grupo Clã, vai ser homenageada em Coimbra, no próximo dia 8, Dia Internacional da Mulher.
“A notícia da homenagem foi uma grande surpresa, mas é claro que a recebi com muito gosto e me senti honrada”, afiançou a cantora ao CM.
Em Setembro do ano passado, poucos dias antes da edição de ‘Cintura’, novo disco do seu grupo de sempre, Manuela Azevedo lembrava, em entrevista ao Correio Êxito, que “o último ano do curso de Direito foi um tédio. Principalmente, estava farta de Coimbra”. Não é estranho ser-se homenageada pela faculdade de uma cidade pela qual não se nutre especial simpatia? Manuela defende-se: “Não é justo dizer isso. Coimbra foi uma cidade de deslumbre e descoberta nos meus primeiros anos de faculdade e é certo que perdeu algum encanto nos anos finais do curso, tornou-se um pouco asfixiante até. No entanto, com o regresso à cidade, já com os Clã (e por inúmeras vezes), acabei por me reconciliar com Coimbra e lhe descobrir outros encantos”.
A gala, subordinada ao tema ‘Reencontro e Encontro de Gerações’, que se realiza no Teatro Académico de Gil Vicente, conta com inúmeros espectáculos de música e teatro e uma outra homenagem à não menos famosa Real República Palácio da Loucura.
Manuela Azevedo deve esta homenagem à Rede de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito em 1993, tendo descartado a Advocacia da sua vida para ser cantora dos Clã. Sem arrependimento, afiança que o seu grupo de sempre “está muito bem, já com muita estrada feita e ainda muita para percorrer com a nova digressão”. “O ‘Cintura’ tem estado em grande destaque nos concertos e a reacção às suas canções tem sido de uma crescente e entusiasmante cumplicidade da parte do público. Está a ser uma bela aventura”, enfatiza, realçando: “Decididamente, nunca serei uma senhora advogada”.
Manuela Azevedo nasceu em S. Simão da Junqueira, Vila do Conde, no dia 5 de Maio de 1970. Os Clã começaram no seu último ano na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, estreando-se em disco em 1996 (ano em que é considerada cantora revelação), com o disco ‘Luso Qualquer Coisa’. É mãe de uma menina (Mara, quatro anos), fruto do relacionamento com Hélder Gonçalves, seu companheiro nos Clã
Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade de Coimbra, diz que é objectivo da Rede de Antigos Estudantes da Universidade de Coimbra homenagear “todos os anos uma pessoa com actividade reconhecida nas artes”. A escolha de Manuela Azevedo, justifica, é “justa pela projecção do grupo de que é vocalista”.
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