O ADEUS A OCTÁVIO CLÉRIGO
Um bom amigo, um homem sereno, um artista de talento. Eis como amigos e colegas se referem a Octávio Clérigo, cujo corpo é cremado hoje no Cemitério dos Olivais, às 14h30.
O cenógrafo, que faleceu anteontem de doença súbita, queixava-se há uns dias de “falta de ar”mas nada fazia prever o triste desfecho. Tinha 68 anos.
Formado pela Escola António Arroio, Clérigo iniciou a sua carreira no antigo Teatro do Povo, dirigido por Ribeirinho. Trabalhou com Vasco Morgado e, entre os espectáculos mais importantes que cenografou, destaca-se “Ratos e Homens”, inspirado no célebre romance de John Steinbeck.
Chegou a ter uma agência de publicidade e, em Janeiro de 1967, integrou os quadros da RTP, onde foi Chefe do Departamento de Cenografia. Reformou-se em 1998.
Sempre que possível, fazia uma “perninha” no teatro, tendo assinado os cenários dos espectáculos do Casino Estoril desde “Viva Mozart”, estreado há 12 anos. Nos últimos anos, tinha-se dedicado à Casa do Artista, de que chegou a ser presidente.
Ao CM, Júlio César elogiou o bom gosto do artista. “Sabia-se sempre quando um cenário tinha o dedo do Octávio. O seu trabalho era de qualidade excepcional. ”Quanto a Raul Solnado, manifestou-se desolado com a perda do amigo: “Era uma pessoa amável, muito calma. Faz-me muita falta.”
A missa realiza-se hoje, às 13h15, na Igreja de St.ª Joana a Princesa.
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