O enterro das superstições
O cenário arrepia e a vontade é de bater três vezes na madeira antes de cruzar a porta, mas no 27.º Jantar dos Treze, uma iniciativa do professor Herrero, só entra quem acredita que crenças e bruxarias são coisas a enfrentar sem medo e com muita diversão.
Enterrar as superstições e o agouro é aliás um dos momentos altos da festa marcada para a segunda sexta-feira deste mês, no aldeamento da Bemposta, em Portimão.
Com uma ementa à base de iguarias que os menos cépticos dificilmente engolirão, o próximo Jantar dos Treze – que atrai seguidores de todo o País – promete transformar-se numa “luta contra o charlatanismo”.
“Vamos desmascarar quem engana meio mundo e explicar cientificamente as situações atribuídas ao sobrenatural”, promete o ilusionista Herrero, autor de vários livros que pretendem desmistificar “crenças nocivas que condicionam o ser humano, prejudicando o seu bem-estar psicológico, físico e económico”.
Aos convidados é exigida vestimenta preta a rigor e a ausência de receio para entrar no túnel do terror (com passagem obrigatório por debaixo de um escadote) e ocupar uma mesa de 13 lugares, decorada com sal entornado e talheres cruzados. Aos menos corajosos, aconselha-se deixar os olhos comer mais do que a barriga: pão bolorento, bacalhau de espíritos errantes, sangue de drácula e mistela de morcego, sobremesas com ranho de lesmas de cemitério e café de bruxas são algumas das propostas oferecidas aos comensais durante a macabra ceia partilhada com gatos pretos, cobras e mochos.
Tentar mostrar que “todos vivem dominados pelo medo imposto por crenças e que as superstições estão a mais na vida das pessoas” é o objectivo da iniciativa, realizada num ambiente alusivo ao mundo do oculto.
Mas para os que não resistirem a uma fuga precipitada, caso tropecem num guarda-chuva aberto ou se confrontem com a própria imagem distorcida num bocado de espelho partido, há que manter a calma. As saídas estarão bloqueadas por grossas teias de aranha para enredar quem despreza os ‘Treze Mandamentos dos Não Supersticiosos’.
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