O lado sexual do 25 de Abril em novo filme
‘Prazer, Camaradas!’ oferece olhar “íntimo” do pós-revolução.
Foi em escritos, diários e relatos orais sobre experiências sexuais, violência doméstica ou mesmo abortos, que o realizador José Filipe Costa encontrou as motivações para realizar ‘Prazer, Camaradas!’, filme que aborda o pós-25 de Abril sob uma nova perspetiva: a de revolução sexual, dos hábitos e dos costumes.
"A revolução não tem de ser só contada de um ponto de vista. Era muito redutor continuar a considerá-la só do lado político-institucional. Eu decidi ver as coisas por um lado mais doméstico e íntimo, do lado das pequenas histórias", conta José Filipe Costa ao CM
O filme estreou no passado dia 20 de maio, após dois anos em ‘banho-maria’ por conta da pandemia e está em exibição nas salas nacionais. Passado em 1975, no pós-25 de Abril, o filme acompanha um grupo de estrangeiros que viaja para o Ribatejo para trabalhar nas cooperativas das herdades ocupadas em Portugal. Ajudam nas atividades rurais e pecuárias, dão consultas médicas, aulas de planeamento familiar e mostram filmes de educação sexual.
A história é toda ela contada, curiosamente, por atores não profissionais, uma experiência que, por incrível que pareça, acabou por trazer mais facilidades do que problemas ao realizador.
"Algumas pessoas tinham alguma experiência de teatro, mas a maioria não e o facto é que se deram à câmara de uma maneira muito interessante", diz José Filipe Costa, valorizando o lado "genuíno e generoso" com que todos se entregaram.
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