"O meu sucesso foi por mérito"
Luís Filipe Reis celebra 25 anos de carreira com um disco retrospetivo (‘25 anos de Sucesso’). O pretexto para rever a vida e a obra de um cantor que venceu a pulso.
Correio da Manhã – Olhando para estes 25 anos de carreira, valeu a pena?
Luís Filipe Reis – Sim. Foram 25 anos com muito trabalho e muita luta, mas valeu a pena. Cada vez mais sinto que nasci para aquilo que faço. Emigrei de propósito há 25 anos para França para cantar. No início as coisas foram muito difíceis, mas acabei por vencer e isso deixa-me muito orgulhoso.
Sente alguma mágoa pelo facto de Portugal o ter reconhecido só depois de ter começado a fazer sucesso em França?
Mágoa não, mas em alguns momentos senti-me um pouco envergonhado. Infelizmente, é um problema de que ainda hoje padece o nosso país. Primeiro é preciso ter sucesso fora para depois olharem para nós.
De que se recorda desse início em França?
Recordo-me que tive de viver dois dias debaixo de uma ponte porque não tinha onde ficar. Mas fui para França com o desejo de gravar um disco e pouco depois tive a sorte de encontrar uma editora que andava precisamente à procura de um português para cantar. No início nem acreditei muito nessa possibilidade, pois havia 200 candidatos. Porém, tive a sorte de conseguir.
Hoje acha que chegou onde merecia e deveria ter chegado?
Acho que sim, sobretudo atendendo a que não tenho nenhuma máquina de marketing por trás de mim. Todo o meu esforço foi recompensado. Todo o sucesso que tive foi sempre por mérito. A minha máquina sou eu. Tenho respeito por todos os meus colegas, no entanto lutei sempre para ser apenas e só um cantor.
Mas há alguns artistas que parecem ser maiores do que outros!
No Mundo ninguém é maior do que ninguém. Maior só há Deus.
Há muitos lobbies e jogos de interesses nesta área da música popular, é isso?
Sim, há muitos. Há alguns empresários que levam sempre os mesmos artistas e esses acabam por tirar espaço a outros. O marketing é hoje um estilo em Portugal. Posso dizer que nunca investi um cêntimo em marketing. Esta carreira tem que se fazer com qualidade e não com marketing. Nunca pensei, por exemplo, que alguma vez conseguiria pisar um Olympia [em Paris] ou ter um disco de platina, contudo o que é um facto é que consegui isso tudo.
A música popular também está em crise?
Eu nunca soube o que era a crise, mas também porque sempre soube gerir a minha carreira. Eu sei quanto é que posso gastar.
Mas é um cantor de cachet alto?
Não. Eu sou um cantor muito acessível. Qualquer comissão de festas sabe que me pode contactar à vontade.
Quando é que volta a fazer uma grande sala de espetáculos?
A minha agenda está muito complicada, mas estou a tentar marcar coliseus para o início do próximo ano. Todavia, como preparo tudo sozinho, tenho de ir com calma.
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