O mundo visto pelos pobres

Chega hoje ao Teatro Garcia Resende, em Évora, ‘O Saguão’, peça de Spiro Scimone que Jorge Silva encenou para o Teatro dos Aloés e que, depois de cumprir carreira nos Recreios da Amadora, durante o mês de Março, anda agora em digressão nacional com uma proposta de serão ‘becketiano’.

09 de abril de 2010 às 00:03
O mundo visto pelos pobres Foto: d.r.
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Em cena, três vagabundos partilham o espaço degradado de um edifício abandonado e um dia-a-dia em que tudo falta, sobretudo o básico: alimentação, higiene, afecto. Ou seja, tudo aquilo que torna digna a vida de um ser humano. Quem são estas pessoas? Três homens a quem o azar bateu à porta. Três homens que, mercê do ‘mal dos tempos’, foram despedidos e perderam tudo. Meio de sustento, tecto, família, um lugar na sociedade. Tornaram-se marginais.

Jorge Silva, que se estreou na encenação com a peça ‘Canção do Vale’, de Athol Fugard, e que se considera, “acima de tudo, um actor”, diz que lhe apeteceu levar esta à cena. “Nunca pensei vir a encenar, mas agora confesso que leio os outros de outra forma, sob uma perspectiva diferente. Quando sou confrontado com uma peça começo imediatamente a pensar numa eventual montagem e em como ultrapassar as dificuldades técnicas que possa levantar...”

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Sempre interessado pelas novas dramaturgias, conheceu o trabalho do dramaturgo italiano através dos Artistas Unidos, que lhe publicaram as peças na ‘Artistas Unidos – Revista’. A leitura coincidiu com uma altura em que os despedimentos colectivos estavam na ordem do dia.

“Gosto de peças que nos falem dos nossos dias e, infelizmente, não se podia pedir mais actualidade a este texto”, explica.

Mas algo mais fascinou Jorge Silva em ‘O Saguão’. A musicalidade. “Apesar de não saber italiano, tentei ler a peça na língua original e fiquei fascinado. Felizmente, o Jorge Silva Melo ofereceu-me a tradução que fez. A maior dificuldade desta encenação foi encontrar o ritmo certo para o espectáculo e gerir os seus silêncios expressivos.”

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Com interpretações de Daniel Martinho, João de Brito e Luís Barros, o espectáculo segue para Almada (Fórum Romeu Correia, de 7 a 9 de Maio) e Lisboa, onde se apresentará no Teatro Meridional (de 16 a 27 de Junho).

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