O panorama é animador
“[A Festa de Toiros] é um trabalho de todos e nenhum aficionado lhe deve virar as costas”, declara Nuno Moreira, desde 2000 à frente da direcção da instituição sediada em Lisboa que, em Maio, completa 74 anos de existência, tendo como lema ‘P’ró toiros de morte’.
Correio da Manhã – O Sector 1, instituição de referência no panorama tauromáquico que faz 74 anos a 1 de Maio, tendo como lema ‘P’ró toiros de morte’, vê a sua acção restringida a Portugal?
Nuno Moreira – O Grupo tem defendido a corrida integral através de diversas conferências, exposições, reuniões com elementos do poder político e entidades de carácter cultural. Veja-se a nossa intervenção quanto à lei que permitiu a tauromaquia barranquenha...
– Como tem superado as dificuldades actuais do movimento associativo?
– Estando sediado na capital sofre as dificuldades das associações tauromáquicas de uma grande urbe. A falta do aliciativo para frequentar a Baixa lisboeta à noite levou a que tenhamos centrado o funcionamento no período diurno.
– Será possível recriar a escola de toureio que o Grupo já teve?
– No que diz respeito à formação, o Grupo tem optado por actividades culturais: exposições de artes plásticas, conferências e deslocações a herdades para que os aficionados possam visitar o cadinho da alquimia da bravura.
– Quais as distinções mais relevantes de que o Sector 1 já foi alvo?
– Todas foram importantes, pois consagram o reconhecimento da nossa acção. Todavia, a Medalha de Ouro da Federação Taurina de Espanha (1973) e o prestigiado Prémio Internacional Cossio, da Real Federação Taurina de Espanha (2002), são marcos significativos.
– Que actividades tem o Grupo?
– Essencialmente culturais: exposições de artes plásticas e conferências. No campo lúdico, realiza excursões a Espanha – como as habituais idas às Feiras de Sevilha, Badajoz e outras –, oferece visionamento de vídeos e transmissão de corridas integrais e dispõe de biblioteca e videoteca.
– Há dirigentes que merecem referência especial?
– Todos foram uma mais-valia e trouxeram prestígio que a direcção a que presido cabe honrar. Devo lembrar que foi por iniciativa do Sector 1 que, há 60 anos, começou a carreira em Espanha o ‘maestro’ Diamantino Vizeu, primeiro matador de toiros português que, anos mais tarde, seria presidente da Assembleia Geral do Grupo.
– Que apoios oficiais têm?
– Apesar da falta de apoio oficial, o Sector 1 tem cumprido a sua missão: defender e pugnar pela qualidade e seriedade do espectáculo tauromáquico. Vamos até quando as entidades oficiais continuarão a ignorar-nos.
– Como analisa o estado actual da Festa de Toiros em Portugal?
– O panorama é animador. Talvez a Federação Nacional de Grupos Tauromáquicos, à qual pertence o Sector 1 e que se encontra em fase de lançamento, possa dar um contributo determinante na alavancagem que o espectáculo de toiros precisa. É um trabalho de todos e nenhum aficionado lhe deve virar as costas.
Nome - Nuno Moreira (Corujeira)
Naturalidade - Lisboa
Nascimento - 11 de Setembro de 1962
Habilitações Literárias - Licenciado em Direito
Ocupação actual - Dirigente do Sector 1 há 15 anos e presidente da Direcção desde 2000.
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