O SHOW DE EMINEM

Uma fervilhante multidão de 65 mil pessoas rendeu-se, sábado, no Milton Kayne Bowl, perto de Londres, ao ritmo e à determinação do "rapper" norte-americano Eminem, que apresentou uma mega-produção que o consagrou como a grande estrela do universo do hip-hop.

23 de junho de 2003 às 00:00
O SHOW DE EMINEM Foto: Lusa
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Com os trejeitos de "enfant terrible" a condizer com a voz sarcástica e anasalada, Eminem deambulou pelo palco durante duas horas, expurgando demónios à medida que debitava as suas rimas corrosivas. Mas, sobretudo, revelou-se um verdadeiro "one man show" com o pulso e a determinação que lhe permitiram dominar a multidão apenas com a ajuda pontual de 50 Cents e de D12 como mc's.

Excertos de debates televisivos que criticam e condenam a sua música projectados em quatro ecrãs gigantes, foram o rastilho para o início de uma actuação que viria a revelar-se explosiva. Surpreendente? Claro que não. Eminem sempre deu que falar, ainda que nem sempre pelas razões certas.

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Inúmeras vezes acusado de promover a violência, o sexismo, a homofobia e envolto em polémicas de vária ordem, é precisamente na forma como gere o talento com atitudes politicamente incorrectas que reside o seu estatuto de culto. Sem esquecer que prima igualmente pela capacidade de dar a volta ao jogo, inspirando-se nas críticas negativas para as letras das canções e transformando aqueles que o atacam em alvos a abater. O "isco" funcionou na perfeição e Eminem foi recebido com gritos estridentes e centenas de garrafas de plástico que, repentinamente, voaram pelo ar.

PRODUÇÃO ENGENHOSA E ARROJADA

A entrada do "rapper" em palco também não foi menos original: desceu por um escorrega instalado na língua de um gigantesco palhaço que serviu de cenário à actuação juntamente com uma tenda de circo (onde mudava de roupa após anunciar um truque de magia) e um carrossel de feira, que mais tarde serviria para lançar fogo de artifício.

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Aos primeiros sons de "Square Dance" já a multidão pulava em delírio total, de braços no ar e coros inflamados, sem quebrar, nem mesmo quando alguns pingos de chuva se abateram sobre o recinto.

Com uma impetuosidade única e em ritmo sincopado, Eminem atiçou constantemente as hostes, fazendo desfilar canções de luxo: "White America", "Stan", "The Way I Am", "Cleaning Out my Closet", "Love Yourself" ou "Sing for the Moment", este acompanhado pormilhares de isqueiros. Desiludiram-se, no entanto, os que esperavam ouvir intervenções duras ou atitudes politicamente incorrectas.

Desta vez, Eminem deixou de lado o acutilante poder das palavras e concentrou-se somente nas canções e nas constantes "des- garradas" rap, ora com os seus mc's ora com o público. Para o fim ficou "Without Me" e um intenso espectáculo de pirotecnia que fez com que a multidão abandonasse o recinto ainda completamente em transe, degustando as imagens e o ritmo.

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A produção engenhosa e arrojada de "The Anger Management Tour" bem como os números que a marcaram - só na zona de Londres actuou para cerca de 200 mil pessoas com cada concerto a esgotar em pouco mais de 15 minutos - conferem a Eminem mais um trunfo que, se somado ao facto de ter assinado o álbum de rap mais vendido de sempre, "The Eminem Show", e o sucesso da sua estreia no cinema com "8 Mile", tornam este o ano da sua coroação e aquele em que escancarou as portas do "mainstream" tornando o hip-hop num género respeitado.

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