O TALENTO DOS DOBRA-PILAS

O que será que move as pessoas que adquirirem bilhetes para ver, no Teatro Tivoli, um espectáculo que dá pelo nome de "Puppetry of the Penis" - o que quer dizer, mais ou menos, "marionetaria do pirilau". Imagino que, acima de tudo, a curiosidade!

10 de abril de 2003 às 00:00
O TALENTO DOS DOBRA-PILAS Foto: Natália Ferraz
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Quando ouvi falar desta "originalidade" australiana, que começou discretamente em cabarés e passou a percorrer todo o Mundo, imaginei coisa bem diferente de dois homens nus em frente a centenas de espectadores a dizer piada atrás de piada e a manipular a "picha".

Aliás, esta é a palavra mais ouvida no "show" pois os dois simpáticos intérpretes, David Friend e Lincoln Davies, fazem questão de falar em português o mais que podem.

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Quem usa a Internet, já deve ter recebido fotos de um livro, do tipo faça-você-mesmo-em-casa, no qual se ensinam algumas das habilidades que, agora, se podem ver em cena.

ORIGAMI GENITAL

Estes modernos saltimbancos sem bonifrates nem fios, usam os seus próprios instrumentos, em pêlo, naquilo a que muito apropriada e rigorosamente chamam de "origami" (arte japonesa de dobragem de papel para reproduzir pequenos animais ou objectos) genital.

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A noite começa com um "one man show", o português Nilton, que, durante uns 20 minutos debita um chorrilho de piadas de gosto muito relativo e algo boçais, aproveitando a moda generalizada da "stand up comedy".

Depois, dois homens (que entram com capas a camuflar a prevista nudez) colocam-se no centro do palco e fazem toda a espécie de enrolamentos, esticanços e dissimulações com as peles e bolas testiculares que se pode imaginar.

Aliás, é com muita criatividade e imaginação que se adquire que uma pila estendida para baixo se transforma na torre Eiffel e para cima num passarinho! A música e sons que ilustram os diversos números ajudam à festa, bem como alguns adereços básicos.

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Um trabalho de puro entretenimento que diverte (muito) alguns e deixa outros/as perplexos, sobretudo, com a lata de estar nu em cima de um palco sem qualquer preconceito mexendo naquilo que normalmente se usa em actividades altamente privadas.

Uma pergunta parece pairar no final do espectáculo: será que fazer amor não será uma actividade bem mais prazenteira para usar o material masculino? E depois de tanta "tortura", com recorrente esfreganço e salivagem do dito entre "números", o que resta saber é se depois daquela agitação os dois corajosos "performers" ainda conseguem pedir aos seus elásticos amigos que façam mais alguma coisa que um simples urinar...

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