O livro póstumo de Herberto Helder
"Poemas Canhotos" tem a chancela da Porto Editora.
São apenas 16 poemas, um pequeno mas grande livro de Herberto Helder, o derradeiro escrito pelo Mestre, publicado dois meses após a sua morte aos 84 anos. "Poemas Canhotos" é a bem-vinda surpresa, que nos chega, depois de a ‘A Morte sem Mestre’, com a chancela da Porto Editora, numa edição única como era desejo do poeta.
Terá sido o próprio Herberto Helder a rever e a passar a limpo estes poemas a que chamou canhotos. Um título que, à partida, parece, no estilo irónico do poeta, alertar o leitor para o facto de se tratar de uma escrita ‘desajeitada’, como é a da mão esquerda. O que parece ter sido aproveitado por alguma crítica para considerar estes poemas algo desajustados no seu conjunto e no contexto da obra do Mestre.
Mas o lado esquerdo é também o do coração. E esta escrita canhota é também a que vem diretamente do coração, genuína e intensa, amarga, terna, sarcástica (brilhante a crítica aos jovens autores ‘gangrenados’ dos nossos dias), exprimindo a impossibilidade que é tanto a do Poeta como a do Homem: "a amada nas altas montanhas, o amador ao rés das águas".
Herberto Helder exprime logo no primeiro poema a impossibilidade de se atingir a perfeição através da palavra/poesia, "a dita rosa múltipla nunca encontrada". E é por isso que todos os versos são canhotos: "(…) multidão de palavras/todas elas esquerdas como se escreve".
Bilhete de identidade do livro:
Título: Poemas Canhotos
Autor: Herberto Helder
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 56
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04753-3
Preço: 16,60 euros
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