Obra ousada e inovadora valeu a Anne Carson Nobel da Literatura
Escritora canadiana foi distinguida pela Academia Sueca aos 76 anos.
O Prémio Nobel da Literatura de 2026 foi atribuído à escritora canadiana Anne Carson. Aos 76 anos, a poeta e ensaísta torna-se a terceira autora canadiana a receber o mais importante galardão das letras, depois de Alice Munro, em 2013, e Saul Bellow, em 1976. A Academia Sueca reconheceu uma obra que considera “ousada e inventiva” e que, num diálogo permanente com a tradição clássica, criou "novas formas para a literatura contemporânea".
Nascida na cidade de Toronto, em 1950, Carson construiu uma carreira literária difícil de encaixar numa única categoria. Poeta, ensaísta, tradutora e professora, cruza nos seus livros poesia e prosa, ficção e não-ficção, teatro e tradução, recorrendo frequentemente à mitologia e à literatura da Grécia Antiga. A relação e reintrepretação dos clássicos é, aliás, uma constante na sua produção, sendo precisamente na sua capacidade de atravessar fronteiras entre géneros e épocas que reside a sua importância na literatura contemporânea. A escolha da Academia Sueca reforça, por isso, o reconhecimento de uma autora que fez da experimentação uma das suas principais ferramentas.
Um dos seus livros mais conhecidos é 'Autobiography of Red', publicado em 1998, uma obra que parte do mito grego de Héracles e do poeta Estesícoro para construir uma narrativa contemporânea sobre identidade, desejo e crescimento. O livro, escrito em forma de romance em verso, tornou-se uma das suas obras de referência e ajudou a afirmar Carson como uma das vozes mais singulares da literatura de língua inglesa.
Outra demonstração da sua abordagem pouco convencional é 'Norma Jeane Baker of Troy', de 2019, uma obra criada para palco que aproxima duas figuras aparentemente distantes: Helena de Troia, personagem da tragédia grega 'Helena', de Eurípides, e Marilyn Monroe. Carson cruza assim mito, cultura popular, poesia e teatro para explorar temas como beleza, desejo, identidade e representação.
Carson sucede ao escritor húngaro László Krasznahorkai, vencedor do prémio em 2025.
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