Palma de Ouro para filme romeno

Existe um consenso alargado na atribuição da 60.ª Palma de Ouro ao filme ‘4 Luni, 3 Saptamini se 2 Zile’ (‘4 Meses, 3 Semanas e Dois Dias’, na tradução literal), do realizador romeno de 39 anos, Cristian Mungiu. O júri escolheu bem.

28 de maio de 2007 às 00:00
Palma de Ouro para filme romeno Foto: Eric Gaillard, Reuters
Partilhar

Logo que foi exibido, nos primeiros dias do festival, o filme mereceu de imediato os elogios dos jornalistas e críticos, que o mantiveram até o final como um dos favoritos, aliás, como o CM noticiou. Sem dúvida, um filme que reivindica a distribuição em Portugal, não só por tratar o tema do aborto com desarmante sinceridade – tema que tanto apaixonou os portugueses –, mas também por ser oriundo de um país que negoceia a entrada na União Europeia. O prémio confirma, assim, a onda de sucesso em que decorreu este 60.º Festival de Cannes. Recorde-se que o filme já ganhara o prémio FIPRESCI, atribuído pela crítica.

É na Roménia de Ceausesco, em 1989, que acompanhamos o dia de uma rapariga (Laura Vasiliu) após tomar a decisão de fazer um aborto. Clandestino, claro. Marcada a intervenção, a jovem faz-se acompanhar por uma amiga (a surpreendente Anamaria Marinca), que também financia a operação, incluindo o dinheiro para os subornos, e alugam um quarto de hotel durante dois dias. Conforme combinado, o médico (Vlad Ivanov) chega com uma mala de mão onde guarda a sonda, o desinfectante, um saco de plástico para não sujar os lençóis de sangue e uma navalha ponta e mola...

Pub

Metódico, esquemático, detalhado, mas também servido por uma ingenuidade desarmante, o filme de Mungiu faz-nos viver o lado mais ignorante do aborto clandestino, aqui tratado da forma mais crua. Pena que os actores Anamaria Marinca, Laura Vasiliu e Vlad Ivanov tenham ficado fora dos prémios.

Uma palavra ainda para o estilo vibrante, de câmara à mão, que chega a fazer lembrar o cinema dos irmãos Dardenne, curiosamente, duas vezes premiados com a Palma de Ouro. Depois do prémio, em 2006 para Ken Loach, temos de dizer que o cinema realista continua em alta.

Outro grande favorito para os prémios era a co-produção turco-germânica ‘Auf der Anderen Seite’, do turco, nascido na alemanha, Fatih Akin, que, com inteira justiça, leva para casa o prémio do argumento, pois trata com cuidado e emoção os problemas culturais e humanos que afectam estas duas culturas.

Pub

Igualmente bem premiado foi o excelente trabalho de realização de Julian Schnabel em ‘The Diving Bell And The Butterfly’, que nos permite encarar a vida pelo olhar de um paciente com síndrome lock-in.

LONGA-METRAGEM

Palma de Ouro: '4 Meses, 3 Semanas, e 2 Dias’, de Cristian Mungiu

Pub

GRANDE PRÉMIO

‘The Mourning Forest’, de Naomi Kawase

REALIZAÇÃO

Pub

Julian Schnabel por ‘The Diving Bell And The Butterfly’

ACTOR

Konstantin Lavronenko por ‘Izgnanie’, de Andrei Zviaguintsev

Pub

ACTRIZ

Jeon Do-yeon por ‘Secret Sunshine’, de Chang-dong Lee

PRÉMIO ESPECIAL

Pub

‘Paranoid Park’, de Gus Van Sant

PRÉMIO DO JÚRI

Ex-aequo para ‘Silent Light’, de Carlos Reygadas, e ‘Persepolis’, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud

Pub

ARGUMENTO

Fatih Akin por ‘Auf der Anderen Seite’

CURTA-METRAGEM

Pub

Palma de Ouro: ‘Ver Llover’, de Elisa Miller

UN CERTAIN REGARD

Prémio Un Certain Regard: ‘California Dreamin’, de Cristian Nemescu

Pub

PRÉMIO DO JÚRI

‘Actresses’, de Valeria Bruni-Tedeschi

PRÉMIO DA JUVENTUDE

Pub

‘The Band’s Visit’, de Eran Kolirin

PRÉMIO ESPECIAL

‘4 Meses, 3 Semanas, e 2 Dias’, de Cristian Mungiu

Pub

CÂMARA DE OURO

‘Merduzot’, de Edgar Kent e Shira Geffen

QUINZENA DOS REALIZADORES

Pub

‘Control’, de Anton Corbijn

PRÉMIO DO JÚRI ECUMÉNICO

‘The Edge Of Heaven’, de Fatih Akin

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar