Paula Fernandes: “Nunca me senti deslumbrada”
Cantora brasileira regressa ao nosso País para dois concertos muito aguardados no Pavilhão Atlântico, em Lisboa (no sábado), e no Pavilhão Multiusos de Guimarães (domingo). Pretexto para uma conversa sobre uma carreira de sucesso.
Correio da Manhã – O que está a preparar para estes dois espetáculos em Portugal?
Paula Fernandes – São dois dos espetáculos incluídos na reta final da digressão ‘Meus Encantos’, que há dois anos é considerado o melhor espetáculo no Brasil. É um espetáculo muito teatral, embora em Portugal eu tenha de fazer algumas adaptações por uma questão de logística, mas o reportório vai ser exactamente o mesmo, e tem muito por base o meu último disco.
- Quase três milhões de discos vendidos no Brasil. O que é que estes números significam para si?
- É uma conquista enorme, sobretudo atendendo a que há muita pirataria no Brasil, o que atrapalha os artistas do bem. As pessoas têm de perceber de uma vez por todas que valorizar o CD e o DVD originais é investir na arte e isso deve ser estimulado.
- Está há 108 semanas no top Nacional de Vendas em Portugal. O que acha que prende as pessoas à sua música?
- Acho que é a linguagem simples e feminina das minhas canções. As pessoas identificam-se com esta mensagem do quotidiano, que pode ser escutada em qualquer local. São canções que surgem naturalmente, nem sei explicar. Acho que são elas que vêm até mim. Eu não sou, por exemplo, daquelas pessoas que se isolam para escrever. Parar para sentir não é comigo.
- Os últimos anos têm sido de intenso trabalho e muito sucesso. O que ainda existe daquela menina que começou a cantar aos oito anos em Minas Gerais?
- Existe exatamente a mesma menina, mas com mais estrada (risos). Amadureci muito. Em 2011, por exemplo, fiz mais de duzentos espectáculos. Mas na essência sou a mesma pessoa, filha do interior que cresceu no meio dos bichos e da natureza.
- E sendo neste momento uma cantora a viajar pelo Mundo, como é que faz para não perder o contacto com as suas raízes?
- Eu costumo dizer que moro no Mundo, mas a verdade é que também tenho o meu sítio com a minha horta, os meus bichos e a minha tranquilidade. É para lá que vou sempre que posso para repor as minhas energias.
- Como é que alguém que veio de um meio simples e humilde, lida com a fama e com o sucesso que tem tido?
- O facto de ter vindo de um meio simples, ajuda-me a dar mais valor aos detalhes e isso mantém-me equilibrada e com os pés no chão. Eu costumo dizer que consigo estar no palco a cantar e ao mesmo tempo estar na plateia a ouvir-me. Nunca me senti deslumbrada com o que consegui.
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