Peter Pan em BD erótica
Alan Moore, artista de múltiplos talentos, não era propriamente uma celebridade mas vai sê-lo agora com a sua versão erótica de ‘Peter Pan’, banda desenhada que explora a descoberta da sexualidade por Wendy, secundada pela Dorothy de ‘O Feiticeiro de Oz’ e pela Alice de ‘Alice no País das Maravilhas’... Promete!
Nos EUA o livro já está à venda mas na Grã Bretanha, apesar das encomendas se multiplicarem, não vai ser fácil de encontrar, porque quem não está pelos ajustes é o detentor dos direitos de reprodução do original: o hospital infantil de Great Ormond de Londres, instituição contemplada por James Barrie no seu testamento, com os direitos de autor de ‘Peter Pan’.
“É um romance com conteúdo adulto forte e seria provavelmente inapropriado para um hospital endossar algo do género”, defendeu Christine De Poortere, representante do hospital.
Moore demorou 16 anos a concluir a sua versão da história do rapazinho que não queria crescer. Cruzou histórias e personagens, acabando por juntar à maternal Wendy, a destemida Dorothy (de ‘O Feiticeiro de Oz) e a curiosa Alice (de ‘... no País das Maravilhas’). O resultado é ‘Lost Girls’ (’Raparigas Perdidas’ em tradução literal, numa analogia aos rapazes perdidos da Terra do Nunca. Alega Moore que existe uma teoria segundo a qual “a sexualidade e o seu papel no crescimento sempre foram um subtexto na história de Peter Pan”.
Para Richard Johnson, autor de BD e admirador de Moore, “a forma como o livro apresenta Wendy, Peter e o Capitão Gancho, com alusões à pedofilia, pode render-lhe o apelido de ‘Pedo Pan’”. Enquanto não chegam reacções, Alan Moore faz justiça ao cognome de ‘o senhor do caos’, merecido, a avaliar pelo empenho com que desconstrói contos de fadas.
PERSONALIDADE EXCÊNTRICA
Alan Moore nasceu em 1953 em Northampton, Inglaterra e é um autor tão prolífero como versátil, diversificando a sua actividade artística por áreas de actuação como a literatura, a música, o cinema, o teatro e as artes performativas. Mas é na banda desenhada que Alan Moore dá cartas, nomeadamente, com ‘Watchmen’ ou ‘Vendetta and From Hell, obras de referência para os amantes do género.
Comum a todas as suas expressões artísticas é a desconstrução do mundo como o conhecemos. O objectivo valeu-lhe o cognome de ‘o senhor do caos’, o que parece agradar-lhe... Personalidade excêntrica, quando não está a trabalhar, dedica-se a estudar artes mágicas e, dizem, a prestar culto a uma divindade romana: a serpente Glycon.
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