“Procurei dar a dimensão humana de Amália”

Depois de contar a história de Aristides de Sousa Mendes em ‘O Cônsul Desobediente’ e de revelar ‘A Vida Secreta de Dom Sebastião’, a escritora Sónia Louro apresentou esta quarta-feira em Lisboa o seu novo livro de ficção. Trata-se de ‘Amália, o Romance da Sua Vida’, onde, depois de uma aturada pesquisa histórica e de falar com gente que privou com a diva, reescreve uma vida cheia de acontecimentos dramáticos, de aplausos mas feita também de algumas lágrimas e desgostos. Apropriadamente, a sessão de apresentação teve lugar no Panteão Nacional, em Lisboa, onde repousam os restos mortais de Amália. Apropriadamente, quem apresentou o livro foi o encenador Filipe La Féria, outro apaixonado confesso da fadista. Vanessa brilhou a cantar alguns fados de Amália e um do próprio La Féria.

03 de outubro de 2012 às 20:37
Cultura, Livros, Literatura, 'Amália, o Romance da Sua Vida', Sónia Louro, Vanessa, Filipe La Féria, Fundação Amália Rodrigues, Saída de Emergência Foto: Duarte Roriz
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"Amália é uma questão de amor", começou por dizer o encenador na sua apresentação. "Amália é a representação mítica do povo português, voz da nossa tristeza e saudade, mas também do talento, da força e da raça das gentes da nossa terra."

Filipe La Féria elogiou o esforço biográfico de Sónia Louro. "Surpreende a cuidada pesquisa, a recriação de personagens que contracenaram com ela, como Pablo Neruda, Edith Piaf, Manuel Alegre ou tantos outros. Sónia Louro é, mais do que uma historiadora, uma criadora, fazendo do seu livro uma enorme prazer para quem o lê."

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Publicado pela Saída de Emergência e contando com o apoio da Fundação Amália Rodrigues, o livro – de quase 400 páginas – ficciona "alguma coisa", mas sempre a partir de fontes a que a autora teve acesso.

"Parti com o preconceito de que, sobre Amália, tudo se sabia e tudo estava dito, mas não é verdade", disse a autora, que, na sua investigação, se apercebeu de que há um hiato de informação sobre a vida e obra da cantora entre os anos 40 e 50.

"A Amália já cantava lá fora na década de 40, e durante os anos 50 esteve, literalmente, em todo o lado", explicou Sónia Louro, exaltando o "grande mistério" da fadista e a forma como hipnotizava quem a via e, sobretudo, quem a ouvia.

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"Depois de ler todo o material que encontrei e de ver concertos, entrevistas televisivas e até vídeos caseiros que amigos gravaram dos seus jantares e encontros, procurei conhecer pessoas que tivessem privado com a Amália, para poder dar a sua dimensão humana."

E é essa dimensão que procurou dar neste livro, já disponível nas livrarias.

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