Quando as mulheres se calam
‘O Silêncio de Julie’ é uma reflexão sobre o assédio no desporto e foi premiado em Cannes.
Nos últimos anos, muitos têm sido os escândalos sexuais a assombrar o mundo do desporto. Larry Nassar, médico da seleção americana de ginástica, foi condenado a 60 anos de cadeia por posse de pornografia infantil. Foi acusado por mais de 100 raparigas de abusos sexuais praticados ao longo de 20 anos. Andy King, 40 anos de prisão. Jerry Sandusky, de 30 a 60 anos de prisão. Os casos sucedem-se, mas a pergunta a fazer é: quantas histórias semelhantes fica- rão por denunciar?
‘O Silêncio de Julie’, que estreia amanhã nas salas, mergulha neste tema complexo. Julie – interpretada pela tenista belga Tessa Van den Broeck – é uma promessa do ténis que se vê subitamente no centro de uma polémica. O seu treinador é acusado de ter abusado de uma aluna que acabou por se suicidar. Todos se questionam: estará Julie em situação semelhante? E será que quer contar? Tal revelação, ao mesmo tempo que justa, poderia acabar-lhe com a carreira – e tudo isso tem de ser ponderado.
Duplamente distinguido no Festival de Cinema de Cannes de 2024 – onde foi apresentado durante a Se- mana da Crítica – o filme assinala a estreia na realização do belga Leonardo Van Dijl.
OUTRAS ESTREIAS
‘O amador’
Neste filme de ação, Rami Malek é técnico da CIA que se torna agente de campo quando a mulher é assassinada por um terrorista.
‘drop – número desconhecido’
Filme de terror que joga com o medo das pessoas de perderem o controlo das suas vidas para uma força do mal.
‘sob a chama da candeia’
André Gil Mata escreveu e realizou este filme baseado nas suas memórias de in- fância. Com Márcia Breia.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt